Como organizar uma campanha eleitoral III

• Já falamos aqui que o organograma da equipe da campanha eleitoral deve ser enxuto, eficiente e, mais do que tudo, ser liderado por um coordenador-geral com perfil executivo. Cabe ao coordenador, entre outras funções, conhecer o histórico e a realidade eleitoral do local onde se realizará a campanha.

• Conhecer não significa apenas ter memória, muito menos opinião, e sim ter feito a lição de casa de ir atrás de dados concretos sobre o passado do eleitor e dos candidatos, seja através de levantamentos no TRE, na imprensa, assistindo às campanhas anteriores…e ter organizadas todas as informações do presente, como apoios, possibilidades e movimentação dos candidatos das chapas majoritária e proporcional, mapas, relação de lideranças…Sim, dá trabalho, mas não basta ser importante, tem que participar!

• Um bom formato de trabalho para o coordenador é o da War Room, a sala de guerra, onde ele tem acesso a todos os dados e pessoas para tomar decisões rápidas e certeiras, como é próprio da sua tarefa.

• Já detalhamos um pouco aqui também as funções do Conselho Político, do Jurídico e do Financeiro. Vamos agora examinar duas outras atividades fundamentais para a campanha, que muitas vezes são deixadas de lado ou perdem a importância diante de outras áreas, mas que são vitais para o bom desempenho da máquina eleitoral. São elas a Logística e a Mobilização.

• Meu compadre Gerson Guelmann, que hoje se dedica mais a fazer crescer seu império de sfihas do que a caçar votos por aí, é um mestre no assunto. Em campanhas passadas deram a ele o apelido de “xerife”, em outras de “prefeito”. Porque era ele, na liderança de seu (dele) fiel e grande time, quem montava a estrutura necessária para fazer o quartel-general da campanha funcionar e todos os seus peões se movimentarem na direção correta até o Dia D. Parece pouco? Pois é muito. Ainda mais com o bom humor, a inteligência e a competência com que ele fazia (e ainda faz) isso tudo. Fora o show de fogos de artifício que ele proporcionava cada vez que o candidato subia na pesquisa. Copacabana em noite de reveillon morria de inveja.

• Tá bom, você está pensando que é só comadragem minha, mas não é não, inclusive porque ele foi escolhido padrinho do meu filho por essas e por outras numa campanha eleitoral, claro. Aliás, na verdade duas. Fiquei grávida em junho de 96 e enfrentei duas eleições para prefeito (uma no primeiro, outra no segundo turno, ambas vitoriosas) de barrigão, tendo o companheirismo, o apoio, o carinho e a cumplicidade daquele incansável “xerife” de campanha que é o Gerson Guelmann. Bem, mas voltando ao organograma e às suas funções, que você está ansioso, eu sei:

• A Logística é uma área bastante sensível da campanha, pois envolve muitos custos, muita estrutura e muita gente. Já foi ainda mais complexa quando a legislação permitia a distribuição de brindes, camisetas e a realização de showmícios e jantares. Ainda assim o coordenador de logística deve ser uma pessoa de total confiança (como todas as outras, dã!) e de muita experiência, pois caberá a ele administrar setores gigantes, como os de estrutura, compras, produção e distribuição de materiais, e contratação de pessoal.

• Detalhando um pouco, caberá a ele montar toda a base física da campanha (aluguéis de comitês, desde o central até os regionais, incluindo instalação e pagamento de luz, água, telefone, mobiliário, informática e equipamentos móveis, como telefones celulares e rádios, e às vezes setores inteiros como telemarketing e outros), providenciar todos os veículos e seu devido abastecimento de combustível, montar e controlar o almoxarifado de materiais para distribuição (folhetos, adesivos, praguinhas, jornais), além do almoxarifado de materiais internos de escritório , produtos de limpeza e alimentação (vamos combinar que sem pelo menos água e café, não dá, né? Chama a Katia! Deixa pra lá…).

• Deu para acompanhar até aqui? A Logística envolve muito recurso financeiro e muita administração para funcionar direito. Fora a parte mais complicada, que eu deixei para o final: o coordenador de logística tem que gerenciar toda a área de RH (recursos humanos) e isso quer dizer contratar todo o pessoal interno (secretárias, telefonistas motoristas, faxineiras, copeiras, seguranças etc.) e todo o pessoal de rua (gente que distribui material, que cola adesivo, que faz casa-a-casa, que balança bandeira na esquina) e obviamente dar a eles vale-transporte e alimentação. Você já viu aquela cena de greve na frente de comitê, do pessoal de rua que faz manifestação por salário atrasado? Pois é, não há nada pior para a imagem de uma campanha do que isso, você não cuidar nem de quem está suando a camiseta e o coletinho para a sua eleição. Tenha dó, vai.

• Então, vou ter que ir embora e deixar a Mobilização pro próximo post, sinto muito. E ainda faltam a Comunicação e o Plano de Governo para concluir o nosso organograma, fora toda a parte de cronograma e hierarquia, eu sei, não precisa pressionar, a gente já chega lá. E sem querer me desculpar mas me desculpando, nestes últimos dias estou de novo em Curitiba e aqui tá difícil ficar num lugar só e quando fico acesso uma conexão com a internet que dá de piscar de vez em quando. Em resumo: problemas de logística. Melhor não tê-los, mas se não temos…Até já!

3 Respostas

  1. É com enorme prazer que leio seus comentários sobre meu querido primo Gerson. Ele é uma pessoa admirável e, principalmente, totalmente do Bem.
    Agradeço a você pelas bonitas palavras em relação a ele e lhe desejo muito sucesso, agora também no Blog.
    Beijocas,
    Dedé

  2. Caríssima Cila.

    - Recebi do amigo Gerson, seu compadre, a indicação de seu Blog Político-Eleitoral (tudo com maiúsculas, porque de alto nível!). Estou lendo e aprendendo. Vc é uma das poucas pessoas com “ISO” e aquilo, digo, com “qualidade total” garantida, para criar e manter um blog para além do trivial e da superficialidade (comum à maioria dos blogueiros), notadamente nesta área. Parabéns!

    - Apreciei sua menção ao fantástico trabalho do Gerson, realmente um baita exemplo na organização de campanhas eleitorais. Tive a satisfação de criar uma amizade com ele justamente trabalhando bem ao lado (na verdade, sala ao lado) do setor por ele comandado na campanha do Jaime Lerner de 1994. Assim como o vi empenhado e competente na campanha do Osmar Dias de 2006.

    - Sou testemunha da capacidade inigualável do Gerson em comandar uma grande equipe, em tirar “leite de pedra” (na época de vacas magras que qualquer campanha tem) e administrar como poucos os picos econômicos de uma campanha eleitoral . O cara (Gerson) é um “monstro” na estruturação de campanha, indo além disso (vc sabe!) no conjunto da obra de eleger o candidato.

    - Minha sugestão, se é que isso cabe num Blog (sou um “analfabeto” neste setor): uma ENTREVISTA com o Gerson, para o leitor ter uma visão didático-prática desta verdadeira arte que é estruturar uma campanha eleitoral.

    - Cila, à você, com quem pouco convivi, mas que de perto acompanhei em atividades de campanhas no Paraná, minha admiração e meu estímulo ao seu Blog.

    - Um forte abraço

    Wagner D´Angelis

  3. “Como organizar uma campanha eleitoral I, II e III”, tô adorando, muito bom mesmo.
    Quanto ao Gerson e a vc…bem…acho que sou um pouco suspeita…
    Vcs são competentes e admiráveis
    Duas estrelas que brilham
    Eu me orgulho muito de vcs.
    Beijos
    Dete

Deixe um comentário