O tiro e o alvo na campanha americana

• Campanha americana é campanha negativa. É da tradição, é da legislação, é da política.

• E como lá o horário eleitoral nada tem de gratuito, marqueteiro eficiente é o que melhor compra e usa a mídia, o que em tempos de centenas de canais de TV é um quebra-cabeça de muitas peças.

• Mas tem também o fato de que não são apenas as campanhas oficiais que participam da brincadeira: organizações independentes também podem entrar no jogo, veiculando anúncios a favor ou contra seus candidatos.

• Na próxima terça-feira, por exemplo, a organização conservadora independente Let Freedom Ring vai iniciar um investimento de milhares de dólares numa opção nada ortodoxa de mídia: o broadcast nacional, incluindo a CNN e a NBC. O esforço é para veicular um filme que ataca o assunto da hora em torno do democrata Barack Obama: seria ele um flip-flopper?

• Não, ninguém está preocupado com a possibilidade de ele pisar na Casa Branca de sandálias tipo Havaianas (flip-flop, em inglês), mas com suas mudanças de posições, o que define um político, digamos assim, vira-casaca, o flip-flopper da campanha americana, o U-turn da campanha inglesa.

• Ultimamente Obama mudou algumas de suas opiniões mais importantes, como com relação à Guerra do Iraque, ao porte de armas e ao financiamento público de campanhas, tudo para ir mais para o centro e agradar a torcida, além de se adequar mais ao figurino de candidato com reais chances de ganhar.

• De um lado, isso tem provocado elogios de uma parcela da mídia, que descobriu nele a face de um verdadeiro “político”. De outro lado, a campanha de McCain o acusa de ser pior que um flip-flopper, de ter duas caras; de defender duas posições ao mesmo tempo. Veja o filme já disponível num site criado só para discutir esta questão.

• Enquanto isso, num investimento nada heterodoxo dos apoiadores de Obama, estão rodando dois filmes financiados pela organização Moveon, ambos atacando McCain e sua posição com relação ao Iraque. Este é o último, que acaba de entrar no ar apenas nas emissora de TV a cabo:

• Mas o mais controverso é um filme emocional com o depoimento de uma mãe que não quer que seu bebê no futuro seja um soldado americano no Iraque (McCain falou que o país poderia ocupar o Iraque por mais 100 anos se fosse preciso). Segundo a Move On, o filme foi totalmente aprovado em focus-groups, mas por enquanto só está sendo veiculado nacionalmente em algumas TVs a cabo e em Wisconsin, Ohio e Michigan.

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