Prefeitos petistas são maioria na busca pela reeleição
São Paulo, 15 de Julho de 2008 – Os prefeitos petistas são os que mais vão tentar a reeleição em outubro próximo. Entre os 10 maiores partidos do País, que controlam 96% das prefeituras brasileiras, o PT é o que apresenta maior número de administradores municipais tentando ficar no cargo – 85,1% dos 335 prefeitos em primeiro mandato.
Os prefeitos petistas são os que mais vão tentar a reeleição em outubro próximo. Entre os 10 maiores partidos do País, que controlam 96% das prefeituras brasileiras, o PT é o que apresenta maior número de administradores municipais tentando ficar no cargo – 85,1% dos 335 prefeitos em primeiro mandato. Em segundo lugar vem o PTB com 82,4% de 323 prefeitos espalhados por todo o País. Os números fazem parte do levantamento efetuado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).
O PSB vem logo a seguir com 81,4% dos 231 prefeitos aptos a concorrer, seguido do PMDB – que controlam o maior número de prefeituras, 1285 dos 5562 municípios brasileiros -, com 78,9% dos 1036 em primeiro mandato. Em seguida aparecem o PR, com 77,3% de 344 possíveis; o PDT, com 76,9% de 260 prefeitos; o PP com 75,3% de 405; o PSDB, com 74,6%; por último aparecem o DEM, com 65,5% de 438; e PPS, com igual percentual mas de 110 prefeitos em primeiro mandato.
Ainda de acordo com o levantamento da CNM, o porcentual de prefeitos que tentarão um segundo mandato entre todos os partidos neste ano é o maior desde a introdução do mecanismo da reeleição. Dos 4.368 prefeitos que podem disputar a reeleição em 2008, pelo menos 3.361 (76,9%) declararam aos pesquisadores da CNM que vão concorrer.
Em 2000, na primeira eleição municipal na vigência da emenda constitucional da reeleição, todos os 5.558 prefeitos puderam disputar o segundo mandato, mas apenas 3.448 o fizeram (62,0%). Em 2004, o número de prefeitos em condições de se reeleger caiu para 3.556, e o número efetivo de candidatos à reeleição foi de 2.251 (63,3% dos que podiam). Ou seja, embora o número absoluto de candidatos à reeleição de 2000 ainda seja o maior, o índice de tentativa de reeleição tem crescido a cada pleito, atingindo o maior porcentual das três eleições em 2008.
Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, o crescimento do porcentual de prefeitos que tentarão a reeleição pode refletir a melhoria dos indicadores fiscais e de gestão dos municípios. “Os prefeitos sanearam as contas no último mandato e presumem que poderão se planejar melhor num segundo mandato e concluir as obras e projetos iniciados”, diz Ziulkoski. No entanto, para o presidente da CNM, ainda há um número considerável de prefeitos que desiste de concorrer em virtude da “fiscalização ostensiva e – até certo ponto – desigual que sofrem do Ministério Público, se comparado com os governadores”. “Apesar disso, a maioria está se atrevendo a buscar a reeleição”, afirma o presidente.
Como todos os municípios brasileiros recebem recursos da União, sejam diretos ou não obrigatórios, o maior fiscalizador das prefeituras é a Controladoria Geral da União (CGU). Desde 2003, a CGU resolveu sortear os municípios a serem fiscalizados. Já foram sorteadas 1.401 prefeituras, em 26 sorteios. As ações de controle geraram centenas de relatórios, que foram encaminhados aos diferentes órgãos públicos responsáveis pelas ações corretivas, como os Ministérios gestores, Ministério Público Federal, Tribunal de Contas da União, Polícia Federal, câmaras municipais, assembléias legislativas, entre outros.
Segundo a CGU, do total de municípios sorteados e fiscalizados, os recursos totais fiscalizados, até o momento, são da ordem de R$ 8,5 bilhões. Ainda de acordo com o órgão, em 70% a 80% dos municípios, em média, existem problemas graves.
Entre os problemas mais constatados nos municípios estão obras inacabadas ou paralisadas, apesar de pagas; uso de notas fiscais frias e documentos falsos; simulação de licitações ou irregularidades no processo de licitação, incluindo a participação de empresas fantasmas; superfaturamento de preços, falta de merenda escolar e de medicamentos; gastos sem licitação; não comprovação da aplicação de recursos; favorecimento de empresas, irregularidades nos cadastros de programas como o Bolsa Família, entre outras.(Gazeta Mercantil/Caderno A – Pág. 9)(Marcos Seabra).
• Da Gazeta do Povo
Férias para o poder
No Paraná, 17% dos prefeitos não irão se candidatar em 2008. Pelo menos não nesta eleição.
Bruna Maestri Walter
Baixa popularidade, cansaço, problemas de saúde, mais tempo para a família e para os negócios. Estes são os principais motivos que teriam levado uma minoria de prefeitos paranaenses a não tentar a reeleição neste ano. Dos 328 prefeitos do estado que podem concorrer ao segundo mandato, 57 não se candidataram – o equivalente a 17% do total. Nem todos, no entanto, saem definitivamente da vida pública. Eles indicam que podem voltar a se candidatar daqui a alguns anos.
A maioria dos prefeitos que não irão à reeleição vai tentar deixar um sucessor. Muitos não se afastam completamente da campanha e apóiam candidaturas. O prefeito de Barracão, Antenor Dal Vesco (PSDB), apóia um ex-prefeito, de quem foi vice. “A gente participa. Não larga mão”, diz. “Tem que estar envolvido.” O prefeito de Engenheiro Beltrão, José Dalpont (PMDB), também apóia um possível sucessor. “É um apoio pessoal para ele”, diz. “Mas não tem envolvimento nenhum da prefeitura.” (BMW)
“A alternância no cargo é importante (…) Administrar um município grande como a Lapa e ao mesmo tempo cuidar da campanha, não aconselho.” Miguel Batista (DEM), prefeito da Lapa. (Foto:Jonathan Campos/Gazeta do Povo)
A desistência da reeleição no Paraná é uma das mais baixas do Brasil. O índice é menor que a média nacional de 21% e pouco acima das proporções de Espírito Santo (13%), Mato Grosso do Sul (14%) e São Paulo (16%). Os números foram levantados pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que entrou em contato com cada prefeito para levantar as informações.Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, um dos motivos da desistência é a fiscalização ostensiva que os prefeitos sofrem por parte do Ministério Público. Nenhum prefeito entrevistado pela reportagem, porém, citou esta causa. A maioria alega motivos pessoais.
Durante o tempo que José Dalpont (PMDB) esteve na prefeitura de Engenheiro Beltrão, por exemplo, a leiteria dele teria produzido abaixo da média. Sua família supostamente recebeu pouca atenção. Ele lega que, por causa disso, decidiu não disputar novamente a prefeitura. Acha que fez a escolha certa, tanto no lado pessoal quanto no jogo político. “Os adversários não acreditaram. Pensaram que era estratégia”, diz. “Isso uniu dois grupos antagônicos e quem ganhou vantagem é nosso candidato.” Eles não descarta a possibilidade de se candidatar futuramente.
Baixa popularidade?
O prefeito de Barracão, Antenor Dal Vesco (PSDB), acha que se fosse candidato neste pleito teria “boas condições”, apesar de reconhecer que não fez uma grande administração e que não se preocupou com publicidade. “A maioria dos prefeitos (que buscam a reeleição) faz (propaganda). E acho que é direito deles e deve ser feito.”
Mesmo alegando motivos pessoais, o prefeito de Cambira, José Decinio Cataneo (PMDB), sabe que se fosse à reeleição não teria grandes chances como os outros candidatos. Ele afirma que pegou o município endividado e que não fez uma administração popular.
Segundo Cataneo, uma pesquisa mostrou que 75% da população quer renovação na política. “A população não quer mais os que já foram políticos.” Ele não pretende se candidatar futuramente.
Prefeito da Lapa, Miguel Batista (DEM) não irá se candidatar à reeleição para concluir todos os projetos que iniciou no mandato. Ele diz ter registrado uma aprovação de 70% da população e obtido o primeiro lugar na pesquisa feita pelo grupo partidário.
Moradores da cidade, no entanto, contam que a popularidade do prefeito não está em alta. “É bom que ele não vai tentar a reeleição. Está faltando remédio”, diz o aposentado José Gomes. A aposentada Mara Cleci Nunes Polati também observa que a saúde piorou. “Ele não ajudou no desenvolvimento da cidade”, diz. “Pelo que o povo tem comentado, ele fez pesquisa, viu o resultado e não quis entrar para perder”, opina a auxiliar de serviços gerais Vera Lúcia Alberti.
O mecânico de manutenção Henri André de Souza Schamberg avalia que o prefeito fez uma boa administração diante da baixa arrecadação da prefeitura da Lapa. “Acho que o prefeito não tenta a reeleição porque está pensando em colocar uma nova equipe”, diz. “O lapiano não gosta de reeleição. Sempre está mudando.”
O eletrotécnico Juliano Vasco dos Santos contrapõe que a possibilidade de renovação não é grande na cidade. Segundo ele, são sempre os mesmos candidatos. “E nenhum traz crescimento para a cidade.”
O prefeito Batista sustenta que promoveu avanços durante seu mandato. Ele defende a alternância no cargo e alega que, desde o início de seu governo, já dizia que não tentaria se reeleger. Ele não descarta a possibilidade de concorrer futuramente: “Quem manda é o povo.”
Impedidos
Setenta e um prefeitos paranaenses já estão no segundo mandato e não podem concorrer. Eles representam 18% do total de prefeitos do estado.
Mário Luiz Lanziani (PMDB), prefeito de Terra Rica, é um deles, mas diz que, mesmo se pudesse, não se candidataria. Ele pretende se dedicar à profissão de médico. “Oito anos é período longo de afastamento”, afirmou à reportagem por telefone, enquanto atendia pacientes em uma unidade de saúde.
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