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16 de outubro de 2008

A arma de Kassab

por cila schulman

A reeleição tem a força da kriptonita. Que o diga Marta Suplicy (PT), que não é a Super-Mulher, mas vê suas células eleitorais cada dia mais enfraquecidas diante da exposição prolongada dos feitos administrativos do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Dois terços dos prefeitos que concorreram à reeleição este ano vão permanecer no cargo. Com a oportunidade de mostrar suas obras no horário gratuito de rádio e televisão, eles tiveram sua aprovação elevada. Pra que mudar? É este o raciocínio do eleitor na campanha municipal.

Antes que me xinguem aí embaixo, não estou tirando méritos de um nem deixando prá lá erros de outro. Sou um médico que observa os exames clínicos e o desenvolvimento da doença. Se um dos dois pacientes morrer, não vou chorar, não sou da família. Posso continuar?

Kassab está fazendo, no segundo turno, um discurso de união pela cidade. Nem o governador José Serra (PSDB), agora liberado para aparecer, deu as caras na televisão. Não interessa a Kassab politizar o debate. Não por causa de sua más companhias, como quer dizer Marta, que ressucitou até ACM hoje, tentando chamar esta briga. Mas porque é mais eficiente pra ele agendar temas municipais. Tenha o PT razão quando prova que o DEM é o ex-PFL ou não.

Para se ter uma idéia da diferença entre ser situação ou desafiante, acompanhe comigo: no programa de Kassab de ontem à noite apareceu uma média de um educador com nome completo e cargo municipal a cada 25 segundos para elogiar a atual gestão na educação. No de Marta, o único cidadão da sociedade civil com nome e sobrenome foi o empresário Ivo Rosset. Ele é marido da melhor amiga de Marta. Isso não invalida o apoio, mas exemplifica a solidão da desafiante.

Sem conseguir agendar nada até aqui, a não ser confusão para si mesma, Marta tá quase chorando. Abriu o programa com os olhos marejados, queixo trêmulo. Enquanto Kassab, feliz da vida, sugere à adversária a paródia do antigo sucesso : “Sorria, meu bem, sorria”. O resto da letra original, vocês sabem, fala da infelicidade que ela procurou, pra que chorar?

Cila Schulman é jornalista e coordenadora de comunicação e estratégia de campanhas eleitorais.

(Blog do Noblat)

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