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17 de outubro de 2008

São Paulo – As últimas balas de Marta

por cila schulman

Não me venham com falso moralismo. Campanha eleitoral está muito menos para a busca da verdade e muito mais para Schopenhauer em “A Arte de Ter Razão”. É aquela obra do filósofo alemão que ensina os 38 estratagemas para ganhar um debate usando os argumentos a seu favor. E contra o adversário. Sem necessariamente ter razão.

No seu programa de televisão ontem à noite, Marta Suplicy(PT) insistiu que foi ela a primeira a propor o tema dos cursos profissionalizantes nesta campanha municipal. E provou que Gilberto Kassab (DEM), depois de vetar projeto semelhante, agora apresenta, em sua propaganda eleitoral, a promessa de instalar nos espaços da Prefeitura os cursos profissionalizantes promovidos pelo governo do Estado.

“E o queco?”, digitaria o jovem no MSN para perguntar o que ele tem a ver com isso. Será importante saber se um projeto é federal, estadual ou municipal? Ou se a proposta original é do PT, do PSDB ou do DEM? Ou se Kassab mudou de idéia para uma boa idéia da adversária?

No entanto, a discussão é legítima como pilar estratégico de Marta neste segundo turno. Quase todas as suas peças de comunicação acusam Kassab de ser um prefeito de duas caras, sem idéias, movido apenas pela propaganda e pelo período eleitoral.

Ainda ontem, a candidata reclamou que tudo o que o atual prefeito fez foi se apropriar de obras iniciadas na gestão dela.

Exagero. Mas é dura a vida de quem tem que recorrer à retórica negativa em busca de uns votinhos.

Então vieram as razões de Kassab: ele contou que concluiu o serviço de Marta porque ela foi a prefeita das obras paradas. E que, de troco, ainda aprimorou os projetos da antecessora. Pelo bem da cidade e a felicidade geral do seu eleitor.

Dois pontos de vista. O dela, negativo, O dele, positivo aos olhos do telespectador.

Por essas e por outras, especialmente pelos muitos direitos de resposta que Kassab começou a ganhar no horário das inserções publicitárias de Marta, se consolida a imagem de que ela já lançou mão até da derradeira lição do bem humorado manual de dialética erística do mal humorado Schopenhauer. A que sugere apelar para insultos e grosserias como última alternativa para se tentar ter razão num debate. Ou numa eleição.

Cila Schulman é jornalista e coordenadora de comunicação e estratégia de campanhas eleitorais.

(Publicado no Blog do Noblat).

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