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19 de outubro de 2008

Debate em São Paulo opõe roteiros de Kassab e de Marta

por cila schulman

FLÁVIO FERREIRA
CATIA SEABRA
RANIER BRAGON
da Folha de S.Paulo

O telespectador que acompanhar o debate de hoje, às 21h, na Rede Record provavelmente vai ver a candidata Marta Suplicy (PT) esforçando-se para esquentar as discussões, como um tom de voz indignado, frases de efeito e armadilhas verbais. É provável também que Gilberto Kassab (DEM) busque uma postura oposta, quase burocrática, porque talvez o que queira, à frente nas pesquisas, é fazer com que o público pegue no sono.

Os especialistas em marketing político dizem que o debate entre candidatos separados por vários pontos nas pesquisas é como uma partida de final de campeonato em que um dos times joga pelo empate. Quem tem a vantagem fica na defesa e se dá por contente caso nada aconteça durante o embate. Já quem precisa reverter o quadro negativo vai ao ataque para criar lances, provocar o erro do adversário e animar a torcida.

Anteontem, as direções das campanhas de Marta e Kassab deram indicações de que eles devem seguir esses roteiros.

A equipe de Marta evita detalhar a estratégia da petista, mas admite que ela voltará a tentar emparedar o prefeito com questionamentos sobre supostas contradições entre seus atos administrativos e o que ele propõe agora na campanha.

No debate da Band, no último domingo, os petistas avaliaram que Marta se saiu bem, tanto é que edição de alguns pontos do “duelo” foram repetidos em seu programa eleitoral, durante a semana.

Já a coordenação de Kassab diz que ele, além de insistir no estilo da serenidade, vai seguir um plano de construção da imagem do prefeito que conhece bem sua cidade. A intenção da campanha é confrontar a petista com erros que ela teria cometido no último debate. Como diz o prefeito a interlocutores, “corrigir dados incorretos” apresentados por Marta.

O diretor de marketing da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) Emmanuel Publio Dias, diz que as estratégias dos candidatos nos debates variam de acordo com as posições deles nas pesquisas. “Para quem está atrás na disputa, o debate deve ser pensado em função de ‘pilhar’ a militância e criar fatos para que a imprensa repercuta. Já para quem está na frente, a estratégia é tornar o debate o mais morno possível para que nenhum fato negativo seja criado”, diz.

Segundo o professor de ciência política do Ibmec São Paulo Carlos Melo, quem parte para o ataque deve tomar cuidado para não parecer arrogante. “Em alguns momentos em que foi atacado por Marta, no último debate, Kassab começou a responder dizendo ‘Vixe Maria’. Aí ele usou uma estratégia de enfatizar a agressividade da adversária e passar a imagem de um homem simples”, afirma.

Para Melo, o fato de Kassab estar à frente de Marta nas pesquisas –16 pontos percentuais, segundo o Datafolha– pode fazer com que ela diminua a intensidade dos ataques, para passar uma imagem de quem está perdendo com altivez.

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