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21 de outubro de 2008

Eleições em São Paulo: a edição da edição do debate

por cila schulman
Foto Reinaldo Tavares - Terra

Foto Reinaldo Tavares - Terra

A exemplo do protesto de Lula contra a Rede Globo em 1989,  Marta Suplicy (PT)  acusou hoje Gilberto Kassab (DEM) de ter manipulado, através de edição, o debate da TV Record no programa de propaganda eleitoral dele na televisão ontem à noite.
No programa da tarde, Marta editou a edição do debate feita pelo adversário ontem e denunciou que o Kassab do programa dele próprio é melhor do que o Kassab do debate original.
O poder da edição sobre a realidade dos debates estreou no Brasil na primeira campanha presidencial da Nova República. Diz a lenda que Fernando Collor ganhou a eleição porque foi favorecido pela versão dos telejornais da TV Globo para o enfrentamento dele com Lula, transmitido por um pool de emissoras na noite anterior.
Hoje, as emissoras de TV aberta estão proibidas de tentar fazer o que a Globo fez em 89, já que o tratamento para os candidatos deve ser igualitário, sob pena da Lei Eleitoral.
Assim, a interpretação dos debates prescinde de intermediários, ficando ao bel prazer dos candidatos em seu espaço de propaganda gratuita. Claro que eles o fazem com algum escrúpulo, mas na linha do o que é bom a gente fatura e o que é ruim a gente esconde, conforme ensinava o ex-ministro Rubens Ricupero.
Kassab fez ontem, e repetiu hoje, uma interpretação mais política do debate em seu programa, atacando a adversária e lançando mão de reportagens externas e de gráficos para ilustrar suas falas.. Enquanto que a Marta de ontem falou sozinha sobre o que teria feito e o que Kassab não teria feito na Prefeitura. O dele foi ágil, o dela, monótono.
Hoje Marta teve que correr atrás do prejuízo. Colou Pitta em Kassab e reclamou que o adversário usou de artíficios de propaganda para melhorar seu desempenho no debate.
Entendi a estratégia de Marta ao mostrar que Kassab tem duas caras. Mas confesso que não entendi o argumento. Será que  Kassab deveria ser pior na sua própria propaganda do que é no calor da luta do debate? Ou será que a propaganda de Marta é que deveria tratar de ser melhor para aproveitar o que a candidata oferece de bom na vida real? Afinal, as condições no segundo turno são iguais para ambos.

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