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23 de outubro de 2008

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Marte bate em Kassab, mas atinge o eleitor

por cila schulman

A estratégia de Marta Suplicy (PT) para os últimos dias de campanha é, no mínimo, arriscada. Ela mostra tudo o que Gilberto Kassab (DEM) apresentou nos dois meses e meio de propaganda eleitoral dele. Para provar que é tudo truque.

Na tarde de hoje, em seu programa na televisão, ela atacou de novo a falta de caráter do adversário.

O risco é que Marta esteja atacando não somente o adversário, mas a maioria do eleitorado. Maioria que, segundo todas as pesquisas, está decidida a votar em Kassab no próximo domingo.

Quando Marta diz que a propaganda de Kassab é enganosa, está dizendo que o eleitor de São Paulo é bobão e se deixa enganar facinho, facinho por qualquer aventureiro que lance mão de uma candidatura.

Na reta final, o eleitor incorpora o candidato. Decidido, ele é capaz de fazer comentários agressivos por discordar de mim aqui no blog. Isso é pouco. O eleitor briga até com a mãe se ela falar mal do seu escolhido. Imagina se ela acusar o filho de ser um ignorante político. Periga ele abandonar o almoço de domingo e bater a porta na cara da própria mãe. Que feio.

Kassab se defendeu hoje, na televisão, de ter feito parte da turma de Pitta e Maluf no passado. Em vez de assumir a sua biografia, como desafia a adversária, ele preferiu exibir a biografia de sua turma atual. São secretários municipais que trabalharam com Mario Covas, Geraldo Alckmin e José Serra. Gente do PSDB.

Gente do maior respeito. Menos Clóvis Carvalho, que teve seu currículo de superministro de Fernando Henrique Cardoso alterado para “foi ministro de Estado”.

Viu como Marta tem razão? Kassab omite alguns fatos e se aproveita de outros. Marta, que mostrou hoje o apoio do seu ex-marido, o senador Eduardo Suplicy. Não mostrou o do atual marido, claro. Marta, que em seu programa de propaganda eleitoral no rádio colocou a ministra Dilma Rousseff para anunciar investimentos do governo federal no metrô de São Paulo. Marta, que colocou no ar hoje que Kassab fez uso da máquina pública ao entregar um checão destinado à ampliação do metrô ao governdor José Serra.

Ou seja, os dois candidatos seguem o ensinamento do ex-ministro Rubens Ricupero em campanha: o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde.

Mas ao inaugurar o Instituto Nacional de Dois Pesos e Duas Medidas para a propaganda eleitoral, Marta arrisca agudizar sua rejeição crônica. Rejeição gigantesca que a impede de ganhar a eleição.

1 Comentário Comente
  1. out 23 2008

    Oi Cila! Gosto das suas análises das campanhas. Leio-as sempre no blog do Noblat. Independente de quem vou votar, achei a propaganda eleitoral do Kassab certeira! Quem foi o marqueteiro? A Marta vai perder, não por não ser boa administradora, mas pela falta de carisma e por uma campanha muito fraca. Talvez ela tenha entrado de salto alto achando que já tinha ganho e não houve empenho na retaguarda! Continuarei te acompanhando.
    Bjs, Novaes.

    Responder

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