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24 de outubro de 2008

Campanha em São Paulo encerra com proposta semelhante

por cila schulman

FLÁVIO FERREIRA
da Folha de S.Paulo

Ao longo de três meses e meio de campanha dos candidatos à Prefeitura de São Paulo, o eleitor provavelmente encontrou dificuldades para diferenciar Gilberto Kassab (DEM) de Marta Suplicy (PT) pelas propostas para os principais problemas da cidade, já que as promessas de ambos mostraram-se genéricas ou semelhantes.

É provável que critérios como a identificação com os partidos ou rejeição à figura dos candidatos influenciem mais a escolha dos eleitores do que os programas de governos dos concorrentes.

Três temas tiveram destaque no decorrer do período de propaganda, que se encerra hoje: trânsito, saúde e educação.

Em relação aos sistemas de tráfego e transporte, os dois candidatos prometeram principalmente medidas de infra-estrutura de médio e longo prazos, como a construção de corredores de ônibus e investimento para aceleração das obras de linhas de metrô, que é gerido pelo governo do Estado.

Dessa forma, Kassab e Marta evitaram a discussão sobre ações de curto prazo para combater o aumento nos índices de congestionamento.

Os candidatos empenharam-se em negar que vão adotar medidas impopulares, como a criação do pedágio urbano ou ampliação do rodízio, mas não ofereceram ao eleitor propostas concretas para minimizar os efeitos do aumento da frota da capital, que cresce a uma média de 40 mil carros por mês.

Na área da saúde, questão da demora de vários meses para a realização de consultas com médicos especialistas na rede municipal recebeu atenção especial na campanha.

Os candidatos, porém, abordaram o tema também fazendo promessas de aumento da estrutura física. Kassab afirmou que vai construir mais dez AMAs Especialidades e Marta disse que vai implantar 31 policlínicas no município, uma em cada distrito da capital.

O eleitor não teve acesso ao número do déficit de médicos de especialidades durante o período eleitoral, o que dificultou uma avaliação objetiva sobre as maneiras de se combater o principal problema da área da saúde municipal.

A reportagem solicitou por várias vezes essa informação à Secretaria Municipal da Saúde. A pasta não forneceu os dados e limitou-se a responder que “não trabalha com estatísticas de médicos por especialidades, por considerar que o atendimento à população deve ser avaliado sob a ótica da oferta de serviços e não de número absoluto de profissionais”.

Já na área de educação, em que há uma lei municipal que obriga a prefeitura a divulgar o déficit de vagas, os candidatos tiveram que apresentar propostas com base em números concretos: faltam 110 mil vagas nas creches e 47 mil nas escolas de ensino infantil do município. Kassab e Marta apostam principalmente na parceria com o setor privado para minimizar o problema.

Assuntos novos surgiram na campanha, como a promessa de Marta de implantar uma rede internet sem fio gratuita na capital. Outros, como a qualidade do ensino, ganharam maior espaço, mas as propostas seguiram sem profundidade.

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