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24 de outubro de 2008

Rádio: Marta Suplicy fala ao telefone com os filhos

por cila schulman
Supla e João Suplicy

Supla e João Suplicy

Marta Suplicy (PT) disse hoje, no seu último programa de propaganda eleitoral no rádio, que o apoio da família é o mais importante do mundo. Foi ao desligar o telefone, depois de falar com seus filhos João e Supla. A presença dos filhos no programa criou um momento de  simpatia para a candidata, que luta contra um indíce de 50% de rejeição pessoal, segundo informa a última pesquisa do Ibope. Número que consegue a proeza de superar em 10% a rejeição em São Paulo ao partido dela, o PT.

Eu posso ser maliciosa. A verdade é que sou. A prova é que vi malícia no comercial de Marta que perguntava se Gilberto Kassab (DEM) era solteiro ou tinha filhos.Só não calculei, como a campanha dela certamente não calculou, que o comercial ia dar o chabu que deu. Nem  que iria aniquilar as inserções publicitárias dela no segundo turno, que é breve, apesar de ter muita mídia. Por um motivo simples: quando quer fazer um ataque arriscado, mas vital para a estratégia, a campanha costuma o fazer em um minuto, tempo mínimo para o direito de resposta da vítima, conforme determina a lei eleitoral.

Marta fez o ataque em 30 segundos, perdeu o dobro e ficou fora dos intervalos comerciais no rádio e na televisão quase o equivalente a dois dias inteiros de mídia. Tempo em que o lettering de Kassab contava que Marta havia desrespeitado a Justiça. Ou seja, se o comercial por algum motivo era vital naquele momento para Marta, acabou por ser fatal para a anunciada derrota dela no próximo domingo.

Enfim, também sou mãe e me emociono com declarações de amor de filho, mas como em campanha nada é por acaso, a presença dos herdeiros de Marta no rádio, hoje, me chamou mais uma vez a atenção para a diferença de biografia pessoal entre os dois candidatos. Tecla em que Marta bateu ao longo de todo este segundo turno.

Já Kassab, que como se soube ultimamente, não procriou Kassabinhos nesta vida, fora aquele em 3D do site de sua campanha, recorreu ao apoio do seu padrinho. Ele, o governador José Serra (PSDB), que apareceu no derradeiro programa  para  pedir voto para o candidato do DEM.

Do lado de Marta, o compadre Lula encerrou o horário eleitoral no rádio apelando à militância do PT para que vá às ruas com alegria, de bandeira e camiseta, nestes últimos dois dias de campanha. Como se dissesse: não se avexem não diante da liderança absoluta do advesário.

Sem a força da imagem, com linguagem coloquial e com  humor, tudo fica mais leve no rádio, inclusive os ataques e as malícias. Tanto é que a temperatura nesta campanha esquentou muito antes, e muito mais, no rádio do que na televisão. Os programas e comerciais de rádio também tiveram maior capacidade para pautar o eleitor. Abusaram de competentes  e divertidos jingles de ataque. Depois de ouvir meia dúzia de vezes no intervalo da programação, era impossível não decorar.

No entanto, o que mais funcionou foram as novelinhas produzidas pelas campanhas dos dois candidatos. O Oscar foi para o personagem Juvenal, o indeciso descendente de italiano, com sotaque bem paulistano, que foi sendo convencido, ao longo do primeiro turno, a votar em Kassab.

A história pegou, ele continuou no programa do segundo turno e foi uma boa sacada numa campanha que sofreu da falta de atrativos pelo esgotamento do modelo da propaganda eleitoral vigente no Brasil. Onde quase tudo que não soa agressivo, soa monótono e desinteressante.

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