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27 de outubro de 2008

Eleições SP: o João é o mesmo. Marta é que não é Lula

por cila schulman

Por Ricardo Noblat:

Leio que o PT pretende jogar parte da culpa pela derrota de Marta Suplicy nas costas do seu marqueteiro, João Santana Filho. Ele não teria produzido boas peças de campanha. E seria o responsável pelo comercial que perguntava se Gilberto Kassab (DEM) era casado e se tinha filhos.

Não conto o que me contam em segredo. Jornalista que não respeita segredo perde fontes de informações e deixa de ser útil aos leitores. Mas vou abrir uma exceção mesmo correndo o risco de perder uma preciosa fonte de informações – que antes de virar fonte sempre foi um amigo.

Jantei com João Santana em São Paulo pouco antes do início da campanha no primeiro turno. Geraldo Alckmin ainda não havia se lançado candidato. Depois de fazer uma acurada análise sobre o quadro político e eleitoral da cidade, disse-me João:

– Essa será uma campanha muito dura para Marta. Não acredite nas chances de ela ser eleita no primeiro turno. Ela e seu eventual adversário passarão para o segundo turno em situação de empate técnico.

Foi exatamente o que aconteceu.

O principal adversário de Marta não era Alckmin nem Kassab – era ela mesma com seu elevado índice de rejeição. Outro respeitável adversário era a disposição dos moradores de São Paulo de negar voto ao PT.

Somente Lula, em 2002, ganhou eleição na capital paulista. Mesmo assim derrotou José Serra por 51% a 49% dos votos válidos. No resto do país, Lula esmagou Serra.

Lula se reelegeu em 2006 com votação recorde. Alckmin cometeu a proeza de ter menos votos no segundo turno. Mas no Estado de São Paulo e na capital, Alckmin venceu Lula.

João Santava teve a elegância que faltou a Marta e aos demais dirigentes de sua campanha de assumir a responsabilidade pelo comercial sobre a condição civil de Kassab.

Mas até um néscio sabe que um marqueteiro não manda sozinho na campanha. Muito menos em uma campanha do PT, partido onde prevalece a cultura de tudo discutir à exaustão.

Jamais um comercial como aquele iria ao ar sem a aprovação da candidata e da cúpula da campanha. Jamais. O marketing fez por Marta o melhor que poderia ter feito.

Quem ganha ou perde eleição é o candidato.

O João que serviu à Marta é o mesmo que serviu a Lula em 2006.

O problema é que Marta não é Lula.

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