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29 de outubro de 2008

E agora, Prefeito!

por cila schulman

Roosewelt Pinheiro/Agência Brasil

 Esqueça o automóvel -  Em sua coluna de estréia, o urbanista Jaime Lerner coloca o transporte público como prioridade para o desenvolvimento das ...

“Esqueça o automóvel” – Em sua coluna de estréia, o urbanista Jaime Lerner coloca o transporte público como prioridade para o desenvolvimento das cidades

Jaime Lerner
De Curitiba (PR)

Parabéns, você foi eleito; Comece já a pensar no que vai fazer.

Para fazer, você tem que conhecer a cidade. Ok! Você percorreu os inúmeros bairros durante a eleição, conhece todas as lideranças e os problemas dos seus eleitores. Mas, isso não quer dizer que você domina e sabe para onde a cidade vai.

Vai ter que ter uma visão do desenho da mesma, da estrutura de crescimento, pois aí que vai se consolidar a tua prioridade; é nesse desenho de vida e trabalho juntos que você vai ancorar o cenário, que você vai propor aos teus habitantes.

A tua proposta de mobilidade, o sistema de transporte de massa, moradia, trabalho, lazer, tudo junto e integrado.

Vai aqui uma sugestão. Comece desenhando a tua cidade.

Lembre-se que o transporte público exerce vários papéis a mais do que só transportar pessoas. Ele também é indutor do crescimento da cidade e ao mesmo tempo é fundamental para estabelecer uma relação entre o passageiro e o seu itinerário. Mas, também cada passageiro dentro do ônibus é o retrato 3×4 da carteira de identidade da gente da cidade.

Esqueça o automóvel. Estacionamento não é problema para uma cidade, porque a solução está no transporte público.

Enquanto isso vá pensando como revitalizar o centro, e outros setores que estão decadentes na cidade.

Pense numa nova periferia, repensá-la como parte viva de uma cidade, e não como área marginalizada que receba doses homeopáticas de infra-estrutura e equipamentos sociais.

Lembre-se que uma cidade, onde o jovem e a criança não têm espaço para a criatividade, perde muito.

E a criança não existe, somente a partir da escola, mas, a partir do momento em que nasce.

Não aceite a manipulação da tragédia. Fuja das siglas; não corra só atrás das necessidades, porque aí, você não mudará nada.

Mas, não se fixe só nas potencialidades, porque aí, você irá se afastar das pessoas.

É o balanço diário das duas necessidades e potencialidades que é o fundamental.

A cidade não é tão complexa quanto os vendedores de complexidades querem nos fazer acreditar. País subdesenvolvido é o que compra como última novidade o obsoleto.

Fuja do superdimensionamento; dimensionar obras para a máxima tragédia quando melhor é preparar a cidade para a tragédia do cotidiano. E, por favor, comece! Inovar é começar.

Boa sorte na sua gestão!

Terra Magazine

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