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5 de novembro de 2008

Biden conquista vice-presidência e 7º mandato no Senado

por cila schulman

da Folha Online
da Efe, em Washington

Depois de conquistar o sétimo mandato como senador pelo Estado de Delaware, o democrata Joseph Biden, 65, foi eleito o próximo vice-presidente dos Estados Unidos, nesta quarta-feira. Seu companheiro de chapa, o senador por Illinois Barack Obama, é o primeiro presidente negro e o 44º da história do país.

Biden tem um currículo de ouro e uma boca às vezes ágil demais. Católico, filho de um vendedor de automóveis, ele teve grande importância na campanha não apenas por sua experiência em política internacional como também por gozar de uma ligação com a classe trabalhadora branca, que apoiou Hillary Clinton nas primárias do partido.

Na campanha eleitoral raramente apareceu com Obama, ao contrário dos candidatos que compõem a chapa republicana John McCain e Sarah Palin, que freqüentemente aparecem juntos nos comícios. Os estrategistas democratas aproveitaram a experiência de Biden, que está no Senado desde 1973, para deixá-lo em campanha sozinho.

Rob Carr/AP

Seu périplo eleitoral não foi isento dos pequenos erros pelos quais é famoso. Em setembro passado, ao defender Hillary dos insultos de um eleitor, chegou a afirmar que dizer que ela teria sido uma candidata a vice melhor que ele. E, há poucos, dias predisse que uma crise internacional colocaria Obama a toda prova nos primeiros seis meses como presidente.

Seus rivais não desperdiçaram a oportunidade. ‘O senador Biden garantiu que se o senador Obama for eleito, teremos uma crise internacional que porá a toda prova o novo presidente’, disse em um comício McCain, assinalando que o país não precisa de um presidente ‘que incite um teste’.

Mesmo com esses episódios, Biden passou pela campanha sem chamar atenção da imprensa nacional. Nas cidades em que passou, ganhou foco por combater com furor as posturas de McCain sem perder o sorriso contra o senador, a quem chama de ‘amigo’.

Passado

A vida pessoal de Biden, uma coisa muito importante para os americanos, é uma história de dedicação e perseverança. Sua mulher e sua filha mais velha morreram em um acidente causado por um motorista bêbado, em dezembro de 1972, pouco após sua eleição para o Senado pelo estado de Delaware, mas ele não se afogou na amargura e se apoiou nos outros dois filhos do casal.

Em seu único debate com Palin, no qual ela falou reiteradamente sobre seu papel de mãe de cinco filhos, mostrando que entende preocupações das pessoas comuns, Biden não “mordeu a língua’. ‘Sei o que é ser um pai solitário. Minha mulher e minha filha morreram, e meus dois filhos ficaram gravemente feridos, e entendo o que sente um pai quando se pergunta se seu filho crescerá bem’, afirmou, enquanto continha as lágrimas.

Combina essa experiência próxima aos eleitores com uma reputação no Senado como um dos legisladores mais entendidos nos assuntos internacionais, adquirida como presidente do comitê de Relações Exteriores.

Tentou a Presidência duas vezes, a primeira a 1988 e a segunda este mesmo ano, embora nunca tenha passado dos primeiros movimentos das primárias de seu partido. Durante sua primeira tentativa descobriu-se que plagiou um discurso, uma mancha em seu currículo que o persegue desde então. Nesta segunda vez protagonizou alguns atritos com Obama, a quem criticou por sua falta de experiência.

Biden ainda votou a favor de dar ao presidente George W. Bush autorização legislativa para invadir o Iraque, enquanto Obama usou sua rejeição desde o princípio à guerra como prova de que o bom julgamento não depende de estar há muito tempo no Senado. Apesar destas diferenças, Obama abraçou Biden, que também é um especialista em assuntos constitucionais e dá aulas de direito em Delaware.

O senador se casou de novo em 1977 e tem outra filha, Ashley, uma assistente social. Em 1988 sofreu dois aneurismas que quase o mataram, mas se recuperou. Hoje, Biden aparenta ser a imagem e a voz da experiência de um Obama que confessou, que se for presidente, terá em Biden um de seus principais assessores em política externa.

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