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De olho na TV-Noblat

Uma retrospectiva dos programas de propaganda eleitoral na televisão e dos debates da campanha municipal de São Paulo em artigos publicados no Blog do Noblat :

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Primeiro Turno:

Eleição em São Paulo é briga de cachorro grande

Kassab sai na frente de Alckmin na televisão

O candidato a prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab(DEM), ganhou o primeiro round na disputa estratégica que trava com Geraldo Alckmin (PSDB) para ver quem vai ter um lugar no segundo turno pra chamar de seu.

É verdade que Alckmin criou o fato político da primeira noite de propaganda eleitoral, terminando o seu programa com a gravação do governador José Serra, noticiada desde a semana passada. Mas política é política, eleição é eleição. Uma tem tudo a ver com a outra, mas não são a mesma coisa.

Eleição precisa ter posicionamento, agendamento, sintonia fina de comunicação. Ainda mais em São Paulo, que é briga de cachorro grande.

Na campanha do candidato a prefeito da cidade que não pode parar, não dá pra se dar ao luxo de perder tempo com abraços e álbum de família, como vem fazendo o candidato do PSDB nessa largada. É uma pena, mas assim é a vida.

De seu lado, conhecedora da dura poesia concreta das nossas esquinas, a campanha do atual prefeito tratou de apontar quem é o peão do tabuleiro numa reeleição. Claro, primeiro cuidou de tentar convencer o telespectador de que é ele, Kassab, o candidato à reeleição, já que foi escolhido junto com Serra em 2004, coisa em que poucos dos comuns mortais paulistanos acreditam.

Nesse esforço, fez um movimento tático para mostrar que é em torno dele que deve girar a campanha. Porque o assunto de qualquer disputa eleitoral é sempre o mesmo: mudar ou continuar, eis a questão.
Continuar com Kassab ou mudar para Marta?

O último, mas não menor tiro do canhão apontado por Kassab no primeiro dia, foi na direção da líder nas pesquisas, a candidata Marta Suplicy(PT), vizinha de competente programa na estréia e adversária preferencial de quem pretende ultrapassar o primeiro turno.

Kassab saiu na frente porque a hora de se posicionar é agora, na primeira semana de propaganda eleitoral. Quem deixar pra depois, morreu.

 

No ar, o Dr. Alckmin

No capítulo eleitoral da tarde de hoje em São Paulo, o zen Geraldo Alckmin (PSDB) fez o que muita gente implorava que fizesse na campanha presidencial: assumiu o seu lado médico de ser. E ao finalmente sair de Pinda para retomar sua especialidade profissional, aproveitou para tentar aplicar anestesia-geral no medalha de bronze Gilberto Kassab (DEM).

Do alto do seu jaleco, após fazer um diagnóstico sombrio da saúde na cidade administrada por Kassab, o dr Alckmin deu solução para tudo – de integração dos serviços à construção de hospitais, policlínicas e o escambau. Tudo com sigla, tudo com número, tudo com fotografia. E tudo perto de casa, prometeu.

O golpe de Alckmin foi de tiro longo, para alcancar também, lá no outro lado do mundo em que se encontra desde a véspera da estréia da campanha na TV, o governador José Serra. Não precisa explicar mas não custa lembrar: Saúde é a grande marca de Serra desde o Ministério. Tanto é que um dos motivos da derrota da candidata Marta Suplicy (PT) para ele nas últimas eleições é atribuído ao fato dela ter agendado este tema na campanha. Com força na Educação por causa dos CEUs, ela focou na proposta de um CEU da Saúde. Entrou na seara do adversário e deu no que deu.

Agora é diferente. Alckmin abandonou a medicina pela política, mas não pode se dizer que não seja médico. Quanto a Kassab, não foi ministro nem médico, é engenheiro, portanto não tem credenciais para essa disputa. De outro lado, Kassab é o fiel depositário da marca do padrinho político e antecessor, especialmente de sua menina dos olhos, as AMAs.

É, o candidato do DEM vai ter que largar rapidinho a pilha de papéis e o paletó que carrega na mão nos seus comerciais na TV, pois vai precisar usar os dois braços, quem sabe até um pé, nessa briga em que se meteu com seu parceiro histórico, o PSDB.

Alckmin é candidato mesmo a quê?

Para dizer o que vai acontecer, é preciso entender o que já aconteceu, ensina Maquiavel. E o que já aconteceu em São Paulo, passado o primeiro final de semana de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, é que Marta Suplicy (PT) e Gilberto Kassab (DEM) acertaram o discurso e Geraldo Alckmin (PSDB) continua perdido.

Marta, líder isolada nas pesquisas, segue tranquila, mas atenta. É dona do maior enxoval de comerciais na TV. São 18, todos com unidade de linguagem, depoimentos emocionais, a maioria sem a presença dela, mas dialogando entre si: um mostra o que ela já fez, outro o que fará, num cardápio extenso que cobre quase todos os temas.

A propaganda do DEM tem Kassab como estrela nas oito insersões de estréia, já que o candidato ainda precisa que o eleitor ligue o seu nome à sua pessoa. O apelo é racional e o tema de quase todos é Saúde, patrimônio que herdou do padrinho político José Serra, atacado pelo tucano-marrento Alckmin, e matéria que deu à gestão de Marta um vermelho no boletim.

No bloco de programa eleitoral, Kassab segue focando na Saúde, ao mesmo tempo que continua chamando a ex-prefeita para a briga. E Marta, que começou com um programa bem construído e realizado, faz apenas ajustes cirúrgicos, de acordo com a pauta do adversário e com o resultado das pesquisas qualitativas.

Alckmin muda a cada programa e com suas críticas à Saúde escancara cada vez mais a porta de saída para os tucanos, que só aguardavam um “me dê motivos pra ir embora”.

Nos comerciais optou por debater as vantagens e as desvantagens do sorriso, do aperto de mão e do abraço, concluindo que “um abraço é sempre um pedaço de alegria”.

Mesmo achando que alegria deveria ser distribuída gratuitamente, de preferência em barra, como chocolate ao leite, o eleitor se pergunta: Alckmin é candidato a prefeito ou disputa uma vaga na junta de conciliação da Vara de Família?

De olho na TV: Marta e Kassab feitos um para o outro

Os candidatos a prefeito de São Paulo, Marta Suplicy(PT) e Gilberto Kassab (DEM), se tornam dia após dia duas faces da mesma moeda na TV.

Desde a estréia, os programas de propaganda dos dois dialogam, atacam e respondem um ao outro sem trégua, formando, em sequência, quase que um bloco competitivo à parte no horário eleitoral, bem longe dos demais apagados candidatos. E têm até o mesmo jeito de fazer o eleitor rir pra não chorar.

Exemplos de depoimentos exibidos ontem à noite no programa da Marta: “Eles deixaram os CEUs (Centros Educacionais Unificados) no purgatório” ou “ Se não fosse a luta da gente, o CEU tava no chão”.

E no de Kassab: “Até a dona Marta está satisfeita com a Saúde”, anunciou o locutor, fazendo mistério sobre a opinião de uma esteticista, xará da ex-prefeita, para emendar com a declaração de um idoso internado no hospital construído pelo prefeito:  “Melhor que isso, só pão de ló”.

Mas se o eleitor for depender dos programas para saber o que Marta e Kassab fizeram ou pretendem fazer caso vençam, está ferrado.

Se for tentar acompanhar os números, então, vai dar um nó na cabeça, pois a impressão é que os dois construiram e ainda vão construir os mesmos hospitais, escolas, corredores de ônibus, linhas do metrô.

E se for procurar diferenças entre eles, fora as visíveis e óbvias, vai precisar de uma lupa.

Porque ambos são igualmente corajosos, encontraram a Prefeitura falida quando assumiram, enfrentaram grandes pressões, trabalharam pelos mais pobres, venceram os poderosos, realizaram grandes projetos, priorizaram a educação, a saúde e o transporte.

E mais: preferem um ao outro para se enfrentar em um eventual segundo turno.

Ah, sim, ambos são também agressivos e mentirosos. Pelo menos é o que eles dizem na TV.

De olho na TV – Marta tenta segurar o que é dela

Ainda não teve cena pesada que precisasse tirar as crianças da sala, mas pelo recrudescimento das críticas, o horário eleitoral na televisão em São Paulo promete fortes emoções.

A líder nas pesquisas, Marta Suplicy (PT), disse ontem à noite, ela mesma, que a cidade está sem planejamento, que só tem projeto copiado da gestão dela ou financiado pelo presidente Lula.

O motivo? “O primeiro prefeito (José Serra) já assumiu pensando em ser governador e não fez nada, só barulho, e o segundo (Gilberto Kassab) assumiu pensando em se eleger, pra se legitimar, pois nem eleito para o cargo foi”.

Marta considerou como fruto de uma visão estreita, i-na-cre-di-tá-vel, a administração Serra-Kassab não preparar São Paulo para as mudanças do mundo.Denunciou o fechamento de cursos para jovens e prometeu qualificação para todos.

Foi meio confuso entender o que os cursos de fotografia, de violino, de higiene dental e de secretariado, somados aos de metal mecânica e de informática, têm a ver com as mudanças do mundo.

Mas deu pra compreender o recado: Marta resolveu segurar com suas longas unhas vermelhas a montanha de votos que já eram dela: a dos eleitores jovens, de baixa renda e das zonas leste e sul, pra quem falou.
Votos que, coincidentemente, o atual prefeito e candidato Gilberto Kassab (DEM) anda querendo meter a mão.

Quando a opinião negativa sobre o adversário chega na voz do próprio candidato, e não do locutor ou apresentador, é porque a campanha esquentou.

E vamos combinar que é aí que o programa começa a despertar alguma curiosidade. Ou pelo menos começa a tentar despertar os telespectadores que já estavam dormindo no sofá, exaustos de promessas, quer dizer, propostas.

De olho na TV: Quando tudo dá errado

Para explicar a vitória de Fernando Henrique Cardoso nas eleição presidencial de 1994, o publicitário Geraldo Walter, coordenador da campanha dele, ensinava:

– Tem campanha que dá tudo certo, tem campanha que dá tudo errado. Naquela deu tudo certo.

Não, embora baiano, Geraldão não era supesticioso.

Foi por meio de sua inteligência brilhante e da larga experiência em campanhas eleitorais que ele observou que com o candidato certo, na hora certa, com apoio certo, discurso certo, dá tudo certo. Pouco de sorte ou azar, muito de conhecimento e profissionalismo.

E campanha em que dá tudo errado? É simplesmente aquela que termina derrotada?

Não, é aquela que tem outros candidatos para os quais tudo dá certo. É a que já começa contra a corrente e continua desesperadamente contra a corrente. Como foi a de José Serra à Prefeitura de São Paulo em 1996, coordenada pelo mesmo Geraldão. Como está sendo a de Alckmin (PSDB), candidato este ano a prefeito de São Paulo.

Tome-se como exemplo o programa eleitoral de televisão de ontem à noite.

Alckmin falou de um tema que ainda não havia entrado na pauta – segurança pública, seu ponto forte como governador.

Pois a candidata Marta Suplicy (PT) escolheu o mesmo dia para também falar de segurança. Marta acusou seu adversário preferencial, Gilberto Kassab (DEM), de ter desmontado tudo o que ela fez como prefeita.

Kassab, por sua vez,  mostrou no programa tudo o que está fazendo quanto ao ensino profissionalizante. Tudo o que Marta criticou no programa anterior.

E Alckmin? Alckmin ficou mais uma vez fora do debate.

O motivo não foi a coincidência de abordar o mesmo tema escolhido por Marta – mas ter proposto como novidade quase tudo o que a ex-prefeita mostrou que já fez. Com o agravante dela ainda ter lembrado os ataques do PCC em 2006, sob a gestão PSDB-DEM.

A diferença entre os programas de Marta, Kassab e Alckmin é que os dos dois primeiros têm referência municipal e um posicionamento claro de oposição e situação. E do de Alckmin permanece erroneamente deslocado do timming da campanha.

Colombo baixou em Marta

Marta Suplicy (PT) apareceu ontem à noite no programa eleitoral com a expressão faceira de um Colombo ao colocar o ovo em pé.

Tamanha alegria foi motivada pela descoberta da solução para todos os problemas da nova e da velha classe média.

A velha classe média sempre foi a pedra no escarpin de Marta. A candidata só conseguiu votos de gente como ela no segundo turno da eleição de 2000. E foi graças ao empenho de Mário Covas, que a apoiou contra Paulo Maluf.

Eleita prefeita, a menina que nasceu rica trabalhou para os mais pobres. Perto da reeleição, tentou ampliar seu eleitorado. Acabou se perdendo com a criação da taxa do lixo, a confusão no trânsito causada pela construção acelarada dos túneis sob as avenidas Cidade Jardim e Faria Lima, e mais ainda com o plantio de palmeiras imperiais (apelidadas de coqueiros) para embelezar canteiros centrais de avenidas.

As palmeiras não resistiram ao solo, as obras dos túneis foram carimbadas como  mal feitas e superfaturadas e Marta ganhou o apelido de Martaxa, perdendo a eleição para José Serra.

Nesta campanha, ela tem falado dia sim dia não da nova classe média, a população emergente que conseguiu passar da base para o miolo da pirâmide social.

Gente que  era considerada pobre ou muito pobre e que agora usufrui de bens de consumo típicos de classe média, como casa de alvenaria, geladeira, carro, televisão, videogame e computador.

Mas são pessoas que provavelmente não sabem que são a tal nova classe média de que Marta tanto fala.

E foi assim que ontem a simpática Marta versão 2008 surgiu com a novidade de instalar antenas no topo dos quatro mil prédios da Prefeitura de São Paulo. Do balaio de promessas do horário eleitoral emergiu então a internet de banda larga sem fio e de graça para toda a cidade.

Acertou em cheio o nobre eleitor da nova classe média, aquele que consegue adquirir computador a preço popular, mas não tem acesso a internet, muito menos de banda larga. Bingo!

Alckmin mudou pra ficar igual

De olho na TV – Marqueteiro novo, idéia velha

Geraldo Alckmin (PSDB) mudou de marqueteiro. Mas não mudou de idéia. A idéia dele nesta campanha é mostrar que é melhor, ou pelo menos tão bom de serviço, quanto o governador José Serra. Especialmente na Saúde. E que Gilberto Kassab (DEM), o candidato preferido de Serra, é tão ruim na Saúde e em todo o resto quanto a adversária deles, Marta Suplicy (PT). Ponto final da idéia.

No programa eleitoral de televisão de ontem, sob a direção de um novo marqueteiro, Alckmin conseguiu finalmente desabafar e dizer isso. E se fosse possível, ele provavelmente começaria tudo outra vez só para dizer isso de novo e sem o ruído que causou ao criticar a Saúde de São Paulo no início da campanha.

Daquela vez ele viu seu mundo tucano desabar. Entenderam que estava atacando Serra, o festejado ex-ministro, o orgulho do PSDB na Saúde, o criador e mantenedor do serviço administrado por Kassab.

Alckmin, ontem, excluiu nominalmente Serra do ataque. Só não conseguiu deixar de passar por cima de outro tucano: o secretário municipal de Saúde indicado por Serra, apoiado por Serra, quem sabe teleguiado por Serra.

Mas fazer o quê?

Alguma coisa, nem que seja isso, e rápido. O fato é que o candidato está numa curva descendente de intenção de votos enquanto Kassab cresce. Já estão empatados na pesquisa do Ibope divulgada ontem. Para complicar mais sua situação, fez o que o presidente americano Abraham Lincoln não recomendava a ninguém: mudar de cavalo no meio do rio.

Ao sair, seu ex-marqueteiro explicou que o problema da campanha não era de forma, mas de conteúdo. Nesta nova fase, Alckmin deu nova forma ao seu velho conteúdo.:Ah, e mudou o slogan de “São Paulo na melhor direção” para “Competência para resolver e respeito por você”. Agora vai…

Corre, Alckmin, corre…

De olho na TV

Geraldo Alckmin (PSDB) abandonou os sorrisos e os abraços da primeira fase da campanha municipal para tentar ganhar, na base da cotovelada, a corrida para chegar ao segundo turno.

Ele também abandonou os jingles, apoios e outros atrativos para falar do começo ao fim do seu programa eleitoral na televisão. Quase todo o tempo para falar mal de Gilberto Kassab (DEM).

Alckmin considera imperdoável Kassab ter interrompido o trabalho do seu PSDB na Prefeitura de São Paulo. Omite, claro, que Kassab governa com outro PSDB, o do governador José Serra. Mas isso é parte do jogo político e não da arte da comunicação.

O que Alckmin persegue é uma estratégia diferente da que o pôs em terceiro lugar, atrás de Kassab e de Marta Suplicy (PT). Por isso ele se apresenta agora como o candidato da continuidade (da administração Serra).

Alckmin passou o primeiro mês de campanha ora como o candidato “zen”, ora como o candidato da oposição. Deve ter descoberto que o espaço da oposição já está bem ocupado pelo PT, que o seu partido também é situação e que a prática do “zen” serve mais para consertar motocicletas do que para vencer eleições.

Os golpes abaixo da cintura vêm em linguagem publicitária, nas inserções de 30 segundos, especialidade do seu novo marqueteiro. O destaque é para o comercial que compara os candidatos a um piloto de avião, apontando fraquezas dos adversários: o descontrole de Kassab com um cidadão por causa do projeto Cidade Limpa e a sugestão de Marta para que os passageiros relaxassem na crise aérea.

O risco da adoção de um tom agressivo por um candidato que está numa curva descendente de intenção de votos é o crescimento de sua rejeição. Mas este é o único combustível que Alckmin ainda tem para queimar. E ele não tem muita opção, fora esperar a reação da campanha de Kassab, que precisa decidir logo se entra na agenda do tucano e responde ou se segue na estratégia até aqui vitoriosa de polarizar com Marta, a única que tem garantida uma vaga no segundo turno.

Don José e seus dois candidatos

De olho na TV

O candidato Geraldo Alckmin (PSDB) usou e abusou hoje do santo nome do governador José Serra no seu programa de propaganda eleitoral na televisão. E não foi em vão.

Sequer as sessões de acupuntura a que se submete conseguem mais conter a fúria de Alckmin diante da adesão de seus companheiros de partido à candidatura de Gilberto Kassab (DEM). Tanto é que ele decidiu colocar para dentro do programa de televisão as desavenças que enfrenta aqui fora, no mundo real.

O tamanho da irritação de Alckmin pode ser medido pela ousadia dele de elogiar Marta Suplicy (PT) no programa de hoje. Alckmin reconheceu os avanços da petista no transporte público. Disse que o fazia por uma questão de justiça.

Tudo para atacar Kassab que, ainda segundo Alckmin, não deu prioridade aos transportes.

Alckmin destacou sua suposta parceria com Serra, que como se sabe apóia a reeleição de Kassab. Usou expressões como “conversei com o Serra” ou “o Serra já topou”,  garantindo que ambos dividirão a responsabilidade pelos transportes caso seja ele se eleja prefeito.

Encerrou o programa informando que Serra o apóia. Daí apareceu Serra falando uma metade de frase pinçada do discurso que fez em jantar do PSDB, semana passada.  A frase é a seguinte: “Essa luta que o Alckmin está travando com o nosso apoio,o apoio do PSDB…” Foi isso. E só.

Kassab, por sua vez, deixou claro, hoje, no seu programa na tv que está dando continuidade ao trabalho de Serra. E mostrou o que fez na área da Saúde, a preferida do governador.

Com todo respeito, Alckmin começa a parecer mulher traída. Daquelas que insistem em tornar pública a segurança de sua relação com o marido quando ele tem um caso também público fora do casamento.

Kassab, no papel da namorada nova e bem amada, faz que não está nem aí, como a amante que acredita que seu homem vai ficar com ela tão logo consiga se livrar definitivamente da chata da esposa.

De olho na TV – Vereadores de Alckmin batem em Kassab

A falação monocórdica do programa de propaganda eleitoral de vereadores em São Paulo foi quebrada ontem à noite pelos candidatos do PSDB.

Quatro dos cinco vereadores que apóiam Geraldo Alckmin usaram seu tempo para detonar o prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Luciano Gama, Chiquinho 90, Eliana Falque e Gabriel Chalita falaram quase que em coro, acusando Kassab de fazer muita propaganda sem resolver os problemas de trânsito e de educação.

O único que poupou Kassab foi Régis Nori. Ele acusou Marta Suplicy (PT), candidata do PT, de não ter cuidado bem da área da saúde quando foi prefeita.

É pau o trunfo de Alckmin. E para alguma coisa deverá servir. Na mais recente pesquisa de intenção de voto do Datafolha, Alckmin subiu dois pontos e continua empatado com Kassab.

De olho na TV – Kassab reage com categoria

Demorou, mas foi de categoria o contra-ataque de Gilberto Kassab (DEM) às críticas que vinha recebendo há uma semana de Geraldo Alckmin (PSDB).

Entre as várias opções que tinha, a campanha de Kassab resolveu chamar atenção no programa de propaganda eleitoral de ontem à noite para a marca do “bloco do eu sozinho” que caracteriza Alckmin na intimidade do mundo político.

Kassab dedicou o programa à máxima de que política se faz com união de esforços. Como testemunhas, pôs para falar seus parceiros tucanos, o governador José Serra e o ex-ministro José Gregori, e até a estrela de maior grandeza do PT, Lula, que surgiu dizendo que era preciso união entre ele e seus adversários políticos, Serra e Kassab, para construir uma área de lazer na favela de Heliópolis.

A cereja do bolo foi a imagem de Alckmin aplaudindo Kassab no lançamento de sua candidatura a vice-prefeito em 2004.

Kassab tinha aguentado firme o comercial de TV que o condenava por ter apoiado Pitta, Maluf et caterva no passado. Mas a revelação de Alckmin, feita ontem, de que seu nome teria sido imposto pelo PFL, e que isso teria feito Serra até pensar em desistir da candidatura a prefeito, extrapolou a capacidade de Kassab de manter a cara de paisagem que vinha exibindo diante dos ataques do ex-aliado.

O risco da opção do DEM é levar uma invertida da Justiça Eleitoral, já que não é permitido a qualquer cidadão filiado a partido político com candidato na disputa falar no programa de candidato de outro partido. O cuidado tomado foi apresentar declarações administrativas e não de apoio.

Ainda assim foi um risco calculado, pois a estratégia de Kassab pode não ter sido eficiente para recuperar o eleitor perdido pelos ataques do candidato do PSDB, mas certamente foi eficaz para acalmar os ânimos dentro da sua trincheira e pôr Alckmin novamente em pacau de bico no jogo político.

De olho na TV – Duelo ao anoitecer

Paulo Maluf (PP) definiu a disputa entre Geraldo Alckmin (PSDB) e Gilberto Kassab (DEM) como briga de comadre.

Não sou de concordar com o dr Paulo, mas olhando apenas para o programa de propaganda eleitoral na televisão, como eu faço aqui no blog, o bate-boca deles parece mesmo picuinha de comadre.

Uma liga, a outra não atende. Quando a outra procura, a primeira, ofendida, manda dizer que saiu.

No programa de ontem à noite, Alckmin, que vinha tendo a iniciativa dos ataques, baixou a bola limitando-se a pedir uma comparação de biografias para o eleitor decidir qual entre os dois poderá impedir a vitória de Marta Suplicy (PT) no segundo turno.

Em compensação Kassab, que vinha reagindo de mansinho, surpreendeu.

Alckmin foi considerado no programa de Kassab como a decepção destas eleições: um homem confuso e nervoso, que não esteve a altura de Mário Covas e Franco Montoro; um político de duas caras, que elogia o PT enquanto ataca seus companheiros do PSDB, incluindo José Serra.

Nas próximas segunda e quarta-feira irão ao ar os dois últimos programas do primeiro turno. Programas que servem mais para um “vale a pena ver de novo” de propostas do que de ataques derradeiros.

Dada à sua baixa audiência, o horário de programa eleitoral também serve mais para dar recados para o chamado público interno, formado pelos políticos e apoiadores das campanhas, do que para formar a opinião do eleitor.

Assim, o contra-ataque final de Kassab, ontem, me fez lembrar um conto de Guimarães Rosa em Sagarana. Aquele do capiauzinho que apanhava calado porque sua mãe havia lhe ensinado a não levantar a mão para seus 20 irmãos mais velhos, quando ganhou a proteção de Cassiano, que virou seu compadre. Cassiano morreu e Vinte-e-Um surpreendeu o inimigo perseguido por seu compadre há meses:: “Seu Turíbio! Se apeie e reza, que agora eu vou lhe matar!”.

Uma dica: o compadre Cassiano da vida real está mais vivo do que nunca na política de São Paulo. E não é dado a conversa de comadre.

Alckmin ressuscita Quércia para bater em Kassab

Dizem que nós, chamados marqueteiros, ganhamos eleição. Mentira. Marqueteiro às vezes perde. Quem ganha é o candidato com sua capacidade de fazer política. Afinal, é disso que se trata a campanha eleitoral.

Tome-se o caso do ex-governador Orestes Quércia, que virou personagem central da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) a prefeito de São Paulo.

Onde entra Quércia no enredo da eleição municipal se a última vez que ele ocupou um cargo por meio do voto direto foi há exatos 22 anos, em 1986?

Sim, ele saiu do governo com fama de corrupto. Mas será que isso tem importância nesta campanha? Será que o eleitorado que vota hoje lembra de Quércia e dos seus defeitos?

Talvez não, mas o fantasma dele assombra Alckmin dia e noite.

Alckmin não consegue esquecer que os articuladores da campanha de Kassab – caciques do DEM e tucanos dissimulados, como diria ele – foram mais espertos e rápidos do que ele para conseguir o apoio do PMDB de Quércia, atropelando todo mundo, inclusive Marta Suplicy (PT).

Consta que o acordo entre Kassab e Quércia, patrocinado pelo governador José Serra, teria envolvido o futuro apoio do DEM e do PSDB à candidatura de Quércia ao Senado em 2010. E sei lá eu mais o quê.

Coisas da política, intuiria até uma criança.

O que fez Marta? Se virou e juntou um bloquinho de partidos para ter tempo suficiente na TV e sair líder da disputa no primeiro turno.

Alckmin, por seu lado, viu a sua candidatura começar a minguar. Kassab ficou com o maior tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão e com a forte estrutura do PMDB de Quércia.

Hoje, no programa de tv de Alckmin, ele alertou os eleitores para a presença de Quércia na próxima administração municipal caso Kassab se eleja. E fez um raciocínio paradoxal, garantindo que não é político do tipo de Kassab, que faz acordo em troca de horário na televisão.

Como assim? Não foi se juntando a partidecos como PHS, PSDC e PSL, além do PTB, que Alckmin conseguiu os quatro minutos e meio do seu programa de tv?

Se Alckmin sabe de algum fato que torne a coligação DEM-PMDB menos limpa do que a sua, que conte agora enquanto é tempo. Não vá depois culpar a comunicação de sua campanha por sua eventual derrota.

De olho no TV: A cerimônia do Adeus

Em certas estações, notadamente nas primaveras dos anos pares aqui no Brasil, se observa um fenômeno raro. Ocorre quando o político se vê frente a frente com a decisão soberana do eleitor e não lhe resta outra alternativa senão assumir seus sentimentos de culpa, de medo, de fé, de raiva, de alegria, ainda que isso lhe sirva também como truque na busca de mais votos.

No último programa do primeiro turno ontem, na televisão,Marta Suplicy (PT) foi de Lula, paz e amor. A rainha das pesquisas de intenção de votos, a líder soberana desde o começo da disputa, teve que calçar as sandálias da humildade e pedir uma chance ao eleitor. Disse, e Lula confirmou, que ela está mais madura e preparada, como alguém que se desculpa por um pecado do passado. Deve ser por causa da sua rejeição, que teima em não baixar, e da cruel pesquisa do instituto Datafolha, que a colocou atrás de Gilberto Kassab (DEM) na projeção do segundo turno.

Na direção oposta,o emergente Kassab agora tá se achando. Ele surgiu nos braços do povo e do governador José Serra numa São Paulo que canta e é feliz, sapateando sobre a herança maldita que diz ter recebido de Marta na Prefeitura. Reclamou que foi atacado pra chuchu pelos concorrentes. Seria uma piada com o apelido de Geraldo Alckmin (PSDB), o picolé de chuchu? Finalmente, até de lindo ele foi chamado pela mulherada. Tá se achando mesmo, esse Kassab.

O adeus mais comovente, entretanto, foi o de Alckmin. Sentado no sofá da sala do seu apartamento, de mãos dadas com a família e com a religião, ele pediu para o eleitor voltar no tempo e comparar sua história com a de Kassab, “o candidato que se diz do PSDB”.

Talvez quisesse ele, Alckmin, voltar no tempo e recuperar sua glória de governador aprovado, de candidato a presidente campeão de votos em São Paulo, de cacique respeitado no PSDB, enfim, a qualquer tempo anterior à esta sua solitária campanha para prefeito.

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Segundo Turno:

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Debate da Band: irritada, Marta parte para o ataque

Foto Marcelo Pereira/Terra

A candidata Marta Suplicy (PT) está transbordando irritação no primeiro debate do segundo turno, na Band, em São Paulo. Mas é dela a estratégia mais clara: questionar se Gilberto Kassab (DEM) é um como prefeito e outro como candidato. Um veta leis, outro as reenvia para a Câmara Municipal.

Kassab mostra que tem nervos de aço para enfrentar as provocações da adversária. Ele já recorreu até à Virgem Maria e várias vezes se disse constrangido com as afirmações dela.

Na comparação, Marta mostra mais desenvoltura na televisão, falando diretamente com o eleitor que está em casa. Mas para quem não tem experiência em campanhas majoritárias, Kassab está sendo rápido no contra-ataque.

Debate: Kassab marca ponto com direito de resposta

Foto Marcelo Pereira - Terra

Pedir direito de resposta em debate é um risco para o candidato, pois quando lhe é negado fica a impressão de que está apelando. Foi o que aconteceu duas vezes agora, no quarto bloco, com Marta Suplicy.

Com Kassab aconteceu o contrário: no terceiro bloco ele reagiu quando Marta lhe chamou de mentiroso. Bóris perguntou se ele estava pedindo direito de resposta, ele confirmou, ganhou, mas Marta não aceitou, criando confusão com o mediador Boris Casoy.

Kassab aproveitou o direito de resposta para fazer a sua melhor intervenção, explicando a agressividade de Marta por ela estar atrás nas pesquisas e apelando para aumentar o nível do debate.

Debate: Marta e Kassab não saem do 0 x 0

Foto Marcelo Pereira - Terra

Debate não é palco para aprofundar propostas. Não dá tempo e as regras não ajudam. Mas é lugar para mostrar diferenças de estilo. Que ficaram bem claras no da Band hoje em São Paulo.

Marta Suplicy (PT) foi mais emocional e procurou politizar a discussão. Gilberto Kassab (DEM) recorreu ao seu diploma de engenheiro e agiu de forma mais cartesiana.

Debate é também muito mais do que palavras, é imagem.

No desta noite Marta falou mais diretamente ao eleitor, porém se mostrou mais nervosa. Kassab teve problemas com o gestual, não sabendo muito bem o que fazer com as mãos, quase sempre cruzadas.

O maior medo no debate é o erro, a escorregada. Que não houve nesta noite. Por isso os dois candidatos saíram do programa aliviados. Assim como o mediador Boris Casoy, pressionado o tempo todo pela tensão dos candidatos e da platéia, que ora xingava, ora aplaudia.

E o que se debateu? O foco da conversa girou em torno de quem recebeu a Prefeitura mais quebrada, se foi Marta quando assumiu depois de Pitta (assessorado no início da gestão por Kassab) ou se foi Serra-Kassab depois de Marta. Conteúdo que deu um empate de 0 a 0 aos dois times no final da partida.

Marta pisa na bola e dá tiro no pé

Ser mulher não é pra qualquer um. Quando ocupa uma função tradicionalmente masculina então, sai de baixo. Quem quer saber de filho doente, geladeira pifada, botox vencido, marido carente, quando é exigida à rainha do lar eficiência no trabalho?

Não reclamo. Adoro! Sou bem mulherzinha e exerço um ofício de macho. Sei a dor e a delícia de ser o que sou. E também da dificuldade de equilíbrar a imagem das candidatas quando faço campanha de mulher.

Um professor meu, em Washington, resumiu: no Legislativo tudo bem, mas no Executivo, ou a candidata projeta suavidade demais para enfrentar as crises do cargo pretendido, ou é rotulada de “bitch”, cadela, essas mulheres assertivas, desagradavelmente fortes. Quem é que quer?

Semana passada, defendi Marta Suplicy (PT) durante uma hora no rádio. Reagi a uma colega que criticou o beijo apressado da candidata no ex-marido no dia da eleição, dizendo que não aceitava “ela ter trocado o Eduardo por aquele argentino”.

Certo, o eleitor vota em pessoas, mas não seria a rejeição gigante de Marta fruto de preconceito? Se ela fosse um homem arrogante, ainda assim seria tão odiada? Quanto homem que bate em mulher é eleito e ninguém tá nem aí?

Marta é um ícone para nós mulheres. A moça que nos anos 80 falava de sexo na TV. A guerreira que venceu o machista Paulo Maluf e chegou à Prefeitura de São Paulo. A mulher madura que largou um casamento falido para assumir o novo amor, contra tudo e contra todos. A defensora dos fracos e oprimidos, incluindo os gays. A mãe que criou os filhos para a vida, sem julgamento.

A candidata que agora está curiosíssima para saber se o adversário Gilberto Kassab(DEM) é casado, tem filhos, com a desculpa de que ele não abordou o assunto no programa eleitoral. E ela? Mostrou o novo marido na televisão? Não, nesta campanha só quem apresentou a família foi o fervoroso católico, o caretão, o nada cosmopolita Geraldo Alckmin(PSDB).

Foi mal, Marta, muito mal. Porque o candidato pode tudo, só não pode apontar nos outros a fraqueza que ele mesmo possui. Fica com cara de oportunismo, causa dicotomia.

Pior ainda foi culpar seu marqueteiro. Que atitude tosca. Melhor seria você assumir o erro, amiga, como fez no “relaxa e goza”, e tentar recuperar sua dignidade. Sei que é difícil imaginar que haja vida depois das eleições. Mas ela continua, que o digam os 278.690 candidatos a prefeito e vereador derrotados nesta campanha.

Como no jogo de vôlei, ganha a eleição quem erra menos. E desta vez, Marta, você errou feio. Foi além: manchou sua história ao colocar na roda o tema da sexualidade, quando o que se discute é a cidade. Justo você, esta mulher.

Cila Schulman é jornalista e coordenadora de comunicação e estratégia de campanhas eleitorais.

Kassab aproveita vacilo de Marta e posa de vítima

No esporte, como na campanha eleitoral, duas regras levam à vitória: não errar e saber aproveitar o erro do adversário.

Marta Suplicy (PT) cometeu um erro estratégico ao veicular um comercial que insinuava existir algum esqueleto no closet de Gilberto Kassab (DEM).

Esta noite, no programa de propaganda eleitoral na televisão, Kassab se vitimou do que considerou como golpe baixo da adversária. E não faltou quem jogasse pedra na Marta, dos eleitores à reprodução dos jornais que trouxeram matérias em que o presidente Lula e o ex-marido dela, o senador Eduardo Suplicy, condenam o ataque.

Essa história me fez lembrar uma campanha que fiz em 1994, no Paraná. Era o Yom Kipur, o Dia do Perdão, feriado religioso mais importante para os judeus, e os out-doors do ex-governador Jaime Lerner amanheceram pichados com frases anti-semitas. O resultado foi que o mundo artístico, intelectual e religioso desembarcou em Curitiba para um comício em favor da paz e em apoio ao candidato, que era judeu. Virou notícia nacional e deu-se a virada de Jaime sobre o senador Álvaro Dias, o então favorito da disputa.

O Geraldo Walter, que fazia parte da nossa equipe, morreu desconfiando de que eu mesma havia promovido os ataques, tão fundamentais foram para a nossa vitória. Óbvio que não fui eu, que também sou judia e jamais faria tal atrocidade. Mas que apesar de ter doído muito em nós, o erro dos adversários ajudou, ah, como ajudou.

No caso da campanha de São Paulo, Kassab já estava muitos pontos à frente de Marta nas pequisas de intenções de votos quando ocorreu o mal calculado movimento do PT, que teria como objetivo deixar o adversário nervoso no debate da Band. Quem acabou nervosa deve ter sido a equipe de comunicação de Marta, já que embora os ministros Dilma Roussef e Tarso Genro tenham aparecido hoje para dar apoio à candidata, o seu grande cabo-eleitoral, Lula, tomou doril e sumiu do programa dela.

A arma de Kassab

A reeleição tem a força da kriptonita. Que o diga Marta Suplicy (PT), que não é a Super-Mulher, mas vê suas células eleitorais cada dia mais enfraquecidas diante da exposição prolongada dos feitos administrativos do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Dois terços dos prefeitos que concorreram à reeleição este ano vão permanecer no cargo. Com a oportunidade de mostrar suas obras no horário gratuito de rádio e televisão, eles tiveram sua aprovação elevada. Pra que mudar? É este o raciocínio do eleitor na campanha municipal.

Antes que me xinguem aí embaixo, não estou tirando méritos de um nem deixando prá lá erros de outro. Sou um médico que observa os exames clínicos e o desenvolvimento da doença. Se um dos dois pacientes morrer, não vou chorar, não sou da família. Posso continuar?

Kassab está fazendo, no segundo turno, um discurso de união pela cidade. Nem o governador José Serra (PSDB), agora liberado para aparecer, deu as caras na televisão. Não interessa a Kassab politizar o debate. Não por causa de sua más companhias, como quer dizer Marta, que ressucitou até ACM hoje, tentando chamar esta briga. Mas porque é mais eficiente pra ele agendar temas municipais. Tenha o PT razão quando prova que o DEM é o ex-PFL ou não.

Para se ter uma idéia da diferença entre ser situação ou desafiante, acompanhe comigo: no programa de Kassab de ontem à noite apareceu uma média de um educador com nome completo e cargo municipal a cada 25 segundos para elogiar a atual gestão na educação. No de Marta, o único cidadão da sociedade civil com nome e sobrenome foi o empresário Ivo Rosset. Ele é marido da melhor amiga de Marta. Isso não invalida o apoio, mas exemplifica a solidão da desafiante.

Sem conseguir agendar nada até aqui, a não ser confusão para si mesma, Marta tá quase chorando. Abriu o programa com os olhos marejados, queixo trêmulo. Enquanto Kassab, feliz da vida, sugere à adversária a paródia do antigo sucesso : “Sorria, meu bem, sorria”. O resto da letra original, vocês sabem, fala da infelicidade que ela procurou, pra que chorar?

São Paulo – As últimas balas de Marta

Não me venham com falso moralismo. Campanha eleitoral está muito menos para a busca da verdade e muito mais para Schopenhauer em “A Arte de Ter Razão”. É aquela obra do filósofo alemão que ensina os 38 estratagemas para ganhar um debate usando os argumentos a seu favor. E contra o adversário. Sem necessariamente ter razão.

No seu programa de televisão ontem à noite, Marta Suplicy(PT) insistiu que foi ela a primeira a propor o tema dos cursos profissionalizantes nesta campanha municipal. E provou que Gilberto Kassab (DEM), depois de vetar projeto semelhante, agora apresenta, em sua propaganda eleitoral, a promessa de instalar nos espaços da Prefeitura os cursos profissionalizantes promovidos pelo governo do Estado.

“E o queco?”, digitaria o jovem no MSN para perguntar o que ele tem a ver com isso. Será importante saber se um projeto é federal, estadual ou municipal? Ou se a proposta original é do PT, do PSDB ou do DEM? Ou se Kassab mudou de idéia para uma boa idéia da adversária?

No entanto, a discussão é legítima como pilar estratégico de Marta neste segundo turno. Quase todas as suas peças de comunicação acusam Kassab de ser um prefeito de duas caras, sem idéias, movido apenas pela propaganda e pelo período eleitoral.

Ainda ontem, a candidata reclamou que tudo o que o atual prefeito fez foi se apropriar de obras iniciadas na gestão dela.

Exagero. Mas é dura a vida de quem tem que recorrer à retórica negativa em busca de uns votinhos.

Então vieram as razões de Kassab: ele contou que concluiu o serviço de Marta porque ela foi a prefeita das obras paradas. E que, de troco, ainda aprimorou os projetos da antecessora. Pelo bem da cidade e a felicidade geral do seu eleitor.

Dois pontos de vista. O dela, negativo, O dele, positivo aos olhos do telespectador.

Por essas e por outras, especialmente pelos muitos direitos de resposta que Kassab começou a ganhar no horário das inserções publicitárias de Marta, se consolida a imagem de que ela já lançou mão até da derradeira lição do bem humorado manual de dialética erística do mal humorado Schopenhauer. A que sugere apelar para insultos e grosserias como última alternativa para se tentar ter razão num debate. Ou numa eleição.

São Paulo – O apoio discreto de Alckmin

Geraldo Alckmin (PSDB) foi o primeiro político a aparecer no programa de Gilberto Kassab (DEM) neste segundo turno. O governador José Serra também surge de quando em vez, mas é sempre em imagens de atos administrativos. Com Alckmin foi diferente: esta noite, ele anunciou seu apoio político e deixou um abraço para Kassab. Foi uma declaração quase tão telegráfica quanto a que Alckmin recebeu de Serra quando ainda era candidato a prefeito.

Talvez esta rápida aparição não tenha sido suficiente para definir o voto dos 15% de eleitores que, de acordo com a última pesquisa Ibope/Estadão, votaram em Alckmin no primeiro turno mas ainda estão indecisos com as opções agora limitadas a Kassab e Marta Suplicy(PT). A presença de Alckmin, entretanto, apazigua os ânimos internos da aliança PSDB-DEM. Ânimos que ficaram exaltados no primeiro round da disputa, com as críticas do então candidato tucano à administração Kassab, da qual faz parte o próprio PSDB.

Os gols de Alckmin no programa de Kassab não pararam por aí. Tudo bem que atual prefeito não lhe deu o crédito, mas foi Alckmin, quando era seu adversário, quem propôs a agenda das creches, denunciando a falta de vagas no município. Hoje Kassab lançou uma idéia nova: disse que vai garantir vaga em creche para todas as crianças que foram atendidas pelo Mãe Paulistana, o programa da Prefeitura que acompanha a gestante desde a gravidez até o primeiro ano do bebê. Não explicou quantas serão, nem de onde virão os recursos. Mas pelo menos foi uma proposta diferente numa campanha tão escassa de idéias como tem sido esta de São Paulo.

Marta até tentou. Apresentou, na estréia do programa do primeiro turno, uma sala de situação para acompanhar, via monitores de TV, os problemas da cidade. A idéia bateu na trave e nunca mais foi mencionada. Depois, ela inovou ao prometer internet de banda larga e de graça para toda a população. O projeto agradou à chamada nova classe média, formada por gente que tem condições de comprar um laptop a preços populares mas não tem acesso à internet. De outro lado, causou polêmica por conta do custo e da dificuldade de implantação. Continua lá no programa dela, mas meio escondidinha entre outras tantas promessas.

No mais, as propostas dos candidatos têm sido apenas um requentado feijão com arroz. Mal temperado.

Eleições em São Paulo: Desconstruindo Kassab

Marta Suplicy(PT) voltou a propor ontem à noite, no programa de propaganda eleitoral na televisão, que o eleitor desvende o que ela considera um enigma: a história do seu adversário.

Gilberto Kassab(DEM) foi vereador, deputado estadual e deputado federal. Foi eleito vice-prefeito e assumiu o cargo há dois anos e meio, quando o titular, José Serra(PSDB), saiu para ser governador. Ainda assim, começou esta campanha como um desconhecido.

A razão é que ele nunca tinha disputado uma eleição majoritária, a campanha que concede farto espaço de propaganda gratuita com frequencia suficiente para o político se tornar popular.

Este foi, desde o início, o desafio de sua campanha. Que rasgou o manual e, ao invés de apresentar sua biografia, buscou apenas empatia e emoção com o eleitor para tornar o candidato conhecido. Ao mesmo tempo, aproveitou a propaganda para aumentar a aprovação da gestão Serra-Kassab na Prefeitura. Deu certo. Kassab prefeito e Serra governador é a dupla que vai dar continuidade ao trabalho de Serra-Kassab na cidade. Argumento suficiente para ganhar o voto da maioria dos eleitores.

Mas as pesquisas internas do PT indicam que o desconhecimento sobre Kassab ainda é o que mais causa desconforto nos eleitores. E aposta suas fichas nesta dúvida. Também investe na comparação, apresentando a biografia de Marta no programa dia sim, outro também. A epopéia da menina rica que se dedicou ao pobres só não informa se a heroína é casada ou tem filhos. Mas, como Marta já era conhecida quando começou a campanha, quem quer saber?

Para ajudar o eleitor a resolver o mistério que atormenta Marta, fui buscar minhas anotações, Apesar do bom humor, asseguro que a essência das informações abaixo foram as que recebi assistindo o programa eleitoral. E olha que não perdi nenhum capítulo até hoje, vejo até as reprises na hora do almoço. Vamos às dicas:

O que Marta sabe sobre Kassab

* Quando tinha quatro anos de idade, Kassab implantou a ditadura militar que atrasou o Brasil.

* Ele teve que fugir sozinho pra São Paulo quando seu povo, os DEM, também conhecidos como PEFELÊ, descendentes dos PDS e dos Arena, foram dizimados no nordeste.

* Quando chegou aqui, conheceu Pitta, descendente de Maluf, que lhe deu seu primeiro emprego e a quem ele ficou grato.

* O povo de Kassab era liderado por um coronelato. O chefe era uma sigla: ACM. Não foi informado o significado.. Os outros dois tinham nome: Jorge Bornhausen e César Maia. Nenhum deles conseguiu chegar a São Paulo. Pelo menos dois sobreviveram e não concordam com a homenagem de Marta ao nomear o falecido como chefe deles.

* Os investigadores de Marta disseram ontem na televisão que nunca viram Kassab pessoalmente.

* Segundo eles, o hobby de Kassab é o pára-quedas.

* A informação nova que trouxeram é que Kassab talvez não conheça Collor, mas pode ser parente dele.

* O estado civil de Kassab foi investigado pelo PT, mas permanece desconhecido.

* Não se sabe também se ele tem herdeiros. Mas se um deles for encontrado, deve ser exterminado imediatamente por qualquer eleitor, pois o vice de Marta, Aldo Rebelo(PC do B), quer que eles sejam varridos do mapa. Como foram no seu estado natal, Alagoas, e no resto do nordeste.O temor de Rebelo é que os retirantes do dizimado DEM sobrevivam às interpéries da terra da garoa.

O programa de Kassab informa:

– O candidato foi bom aluno de português no Colegial. É o que diz sempre sua professora, a dona Nair. Ela aparece no programa sempre que o tema é Educação..

– Kassab foi candidato a vice-prefeito pelo DEM, ocasião em que Geraldo Alckmin, do PSDB, bateu palmas. Anteontem, Kassab colou um adesivo de sua campanha na lapela de Alckmin, que não bateu palmas mas mandou um abraço.

– Todo dia Kassab visita doentes, recém-nascidos e gente que mudou de casa. Daí fila uma bóia em algum CEU da Marta, onde aproveita pra bater uma bola com o mascote Kassabinho antes deles voltarem juntos pro serviço, que é arrancar placas dos comércios.

– Tem diploma de engenheiro e por isso palpita com tudo que é peão de obra parada da Marta que vê pela frente.

– Foi colega na Prefeitura de José Serra, um sujeito muito tímido, que nunca fala, mas virou governador. Quer dizer,parece que, apesar de ser do PSDB, ele fala só com o Kassab, que conta na televisão tudinho o que eles conversaram no dia anterior. Combinam um tanto de coisa, os dois.

São Paulo – Kassab ganhou o debate

O que Marta Suplicy(PT) precisava desesperadamente no debate da Record, a uma semana da eleição, não aconteceu: algum fato que pudesse virar a eleição do próximo domingo a seu favor contra o líder das pesquisas, Gilberto Kassab (DEM).

O debate não teve novidades e, como nos anteriores, mais se falou do passado do que do futuro. Ambos cometeram gafes. Ele quando leu uma interminável lista de “antes não tinha, agora tem”, comparando sua gestão com a de Marta, e disse que “antes não tinha gasolina fajuta, agora tem”. E ela quando disse que como ministra do Turismo levou ao presidente Lula uma plano de ação para a realização da Copa do Mundo de “1914″. Isso mesmo, quase um século atrás.

Kassab finalmente respondeu à pergunta do comercial de Marta: “Sou solteiro, sou feliz, sou engenheiro e sou economista”. E ela, finalmente, mas bem no finzinho mesmo, pediu desculpas a ele, depois de defender exaustivamente o direito do eleitor de saber detalhes da vida dos candidatos.

Mas essa foi apenas uma das dezenas de desculpas que Marta pediu ao eleitor durante o debate.

Kassab se preparou melhor desta vez. Falou direto ao telespectador, ficou mais a vontade, pediu o voto e reagiu mais rápido nos ataques e contra-ataques.

Marta teve que ficar na defensiva e essa posição lhe deixou um pouco menos arrogante que nos debates anteriores.Talvez até mais insegura. Mas nem tanto.

Ela ficou nervosa algumas vezes e chegou a levantar a voz para o adversário, apelando que ele dissesse a verdade.

O momento de maior nervosismo de Marta foi quando ela caiu na mesma esparrela que já havia caído no debate da Band, na semana passada. Interrompeu Kassab quando ele falava sobre a relacão dela com a turma do mensalão e pediu direito de resposta. Que foi negado pela comissão de juristas de plantão na emissora. Ponto pra Kassab.

O debate começou dinâmico com as perguntas das jornalistas sobre notícias atuais, como o confronto entre a Polícia Miltar e a Civil em greve. Mas começou a esfriar a partir do segundo bloco, o de perguntas entre candidatos. Melhor pra Kassab, que está na frente e a quem não interessa marola na reta final.

Por isso, quando Marta tentava aquecer, ele esfriava recorrendo a seus diplomas de engenheiro e economista para, didaticamente, explicar que a assessoria dela havia se equivocado em alguma informação. O resultado: Kassab levou vantagem.

Edição do debate da Record: firmeza X experiência

Resultado do último debate da TV Record: Marta Suplicy (PT) tem mais preparo, conhecimento e experiência para vencer a eleição e Gilberto Kassab (DEM) é mais firme e equilibrado para ser reeleito prefeito de São Paulo.

Dividida ao meio, esta foi a versão das campanhas dos dois candidatos para o debate de domingo, tema que ocupou integralmente o programa de propaganda eleitoral na televisão ontem à noite.

A experiente e preparada Marta reproduziu no seu programa todo o conhecimento que mostrou no debate, fazendo um monólogo pasmo e indignado de questionamentos administrativos ao adversário. Marta só não falou de política, nem deixou Kassab falar uma palavrinha que fosse.

O programa do equilibrado Kassab foi, digamos, mais equilibrado. E também mais firme, vejam vocês. O candidato falou de política e da sua vida pessoal, assuntos que ele nunca havia abordado no horário eleitoral. Mas ainda sobrou tempo para muito mais contra-ataques à adversária, apresentada como insegura e nervosa no debate.

O marketing político ensina que o telespectador só sabe o que aconteceu em um debate quando alguém diz, depois, o que aconteceu no debate que ele assistiu ao vivo. É que este tipo de evento tem muito de sutileza e pouco de surpresas monumentais. Afinal, um candidato que chega a finalista, no mínimo já aprendeu o truque para enfrentar o adversário na televisão. Ali, não é lugar para amador.

O que muda de debate para debate e de candidato para candidato é a estratégia. A depender do que precisa resolver naquele momento de campanha, o candidato procura ressaltar determinados atributos posivos seus e outros negativos do concorrente.

Como aqui no Brasil está proibido por lei dar opinião sobre eleições na televisão, cabe à propaganda eleitoral fazer o que os spin doctors, os assessores contratados pelas campanhas americanas, fazem na mídia após os debates: dar sua interpretação dos fatos.

A conclusão é que firmeza X experiência foram as cartas colocadas na mesa por Kassab e Marta, ontem, para que o eleitor decida seu voto no próximo domingo. Façam suas apostas!

De olho na TV – A falta de sorte de Marta

O governador José Serra (PSDB) apareceu nesta penúltima noite de campanha na televisão no programa de Gilberto Kassab (DEM). No primeiro turno, o PSDB tinha oficialmente outro candidato, Geraldo Alckmin.

Liberado no segundo turno, Serra estabeleceu uma distância regulamentar de Kassab. Ele era citado no programa, mas não falava. Talvez para que o candidato não ficasse com pinta de poste, tipo Márcio Lacerda (PSB) carregado pelo governador Aécio Neves (PSDB) e pelo prefeito Fernando Pimentel(PT) em Belo Horizonte. Estratégia que não deu muito certo por lá no primeiro turno.

Hoje, Serra veio com tudo. Feliz da vida, ele pediu voto e testemunhou a parceria dele governador com Kassab prefeito. E assim, tudo foi dando certo para Kassab esta noite. Enquanto tudo foi dando errado para Marta Suplicy (PT).

Kassab pôs no ar imagens dramáticas da São Paulo de Marta prefeita. E depois foi desmontando tudo o que Marta denunciaria em seguida, no programa dela. Para completar, Marta reprisou o assunto da cassação da candidatura de Kassab por uso da máquina administrativa.

Mas hoje à tarde a impugnação foi negada, o que fez Kassab pedir mais um direito de resposta no programa do PT. Fato que, se confirmado, poderá estragar ainda mais o desfecho desta mal enjambrada campanha de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo.

De olho na TV – A última carta de Marta

Tomei um susto esta noite quando comecei a assistir o último programa de propaganda eleitoral na televisão de Marta Suplicy(PT). Depois de dias de pancadaria pesada contra o adversário, veio a calmaria, com trilha suave, despedidas singelas. Imaginei que a candidata optara por aliviar a imagem de agressiva na véspera da eleição. Até que..

Tudo voltou ao normal e Marta tirou o último coelho da cartola para tentar reverter seu destino eleitoral: as imagens do prefeito Gilberto Kassab(DEM) no descontrole emocional conhecido como o Caso Kaiser. Ou o caso do prefeito e o vagabundo.

O caso do publicitário Kaiser Paiva Celestino da Silva, que foi expulso de uma unidade de saúde pelo prefeito aos gritos de “vagabundo!” quando protestava contra o Cidade Limpa, projeto que proíbe publicidade externa na cidade.

O caso que marcou a imagem de Kassab, então um desconhecido, recém-empossado prefeito no lugar do governador José Serra.

Durante a campanha, Marta não usou o caso para não sofrer um revide: o conselho dela, ministra do Turismo, para os passageiros durante a crise aérea: o “relaxa e goza”. O escorregão de Marta foi em dezembro de 2007, o de Kassab, dez meses antes, em fevereiro. Os dois pediram desculpas. Os dois ficaram com estas imagens do passado a lhes ameaçar o futuro.

Ao final desta campanha municipal, graças aos acertos de seu marketing, Kassab conquistou a imagem de simpaticão, bonachão, equilibrado. Enquanto Marta só viu sua rejeição pessoal aumentar. Já está em 50% segundo o último Ibope, 10% a mais que o índice de rejeição do PT em São Paulo.

Assim, sem mais nada a perder, fora a eleição, Marta decidiu aproveitar a noite do derradeiro programa para baixar ainda mais o nível de sua campanha.

Como o caso Kaiser não é novidade, não deve alterar a decisão do eleitor domingo. Mas pode alterar o humor de Kassab no Debate da Globo, a esperança de Marta para tentar reverter sua anunciada derrota.

“Geraldo” Kassab se perde na hora de perguntar

Foto Marcelo Pereira - Terra

Gilberto Kassab(DEM), ou “Geraldo” Kassab, como chegou a se enganar o mediador Chico Pinheiro, ficou sem saber o que perguntar para Marta Suplicy (PT) sobre o tema sorteado para ele no início do quarto e penúltimo bloco: educação. E foi de “qual é a sua prioridade número um para a educação?”

Debate da Globo em SP – Marta perde o fôlego

Foto Agência Estado

Marta Suplicy (PT) não consegue mais nem respirar, de tanto que faz cobranças ao candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM). Ela realmente não consegue parar de falar no debate da TV Globo, sua última oportunidade para atacar o adversário e favorito das pesquisas de intenções de votos nesta campanha.
Marta volta sempre ao tema Pitta. Kassab contra-ataca com a turma do mensalão.

E assim vai.

Eles seguem agora para as considerações finais, no quinto e último bloco do debate, assim, com mais do mesmo. O mesmo que debateram durante os três meses de campanha eleitoral em São Paulo.

Debate em SP- Marta, ansiosa, esquece de dizer “adeus”

Foto Marcelo Pereira - Terra

O candidato Gilberto Kassab (DEM) teve a última palavra hoje, quando encerrou o programa de propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

Teve a última palavra também quando foi sorteado para falar depois de Marta Suplicy(PT) no debate da Globo, o derradeiro enfrentamento entre os dois nesta campanha.

Marta falou tanto de tanto assunto nas considerações finais que esqueceu até de agradecer e de pedir o voto para o eleitor.

Kassab teve tempo de fazer um balanço de sua gestão, de cumprimentar todo mundo – o mediador, a adversária, a Rede Globo e o telespectador- e de falar do seu sonho de ser reeleito prefeito de São Paulo.

Debate da Globo em SP – Kassab acerta um contra-golpe

Gilberto Kassab (DEM) cortou bem a bola do Pedágio Urbano, lançada por Marta Suplicy (PT) no final do terceiro bloco. Kassab aproveitou para falar que é um democrata, que não manda em ninguém, que dialoga e que não é da turma do Pitta.

Marta vinha apresentando em sua propaganda eleitoral na TV o projeto apresentado pelo líder do prefeito na Câmara, vereador Carlos Apolinário (DEM), que defende a implantação do Pedágio Urbano em São Paulo. Kassab se comprometeu a não implantar o projeto e ainda contra-atacou com uma proposta semelhante do vereador Jilmar Tatto (PT), que foi secretário dos Transportes de Marta.

Debate:como em caso de empate a banca leva, Kassab levou

Foto Clayton de Souza - Estadão

Foto Clayton de Souza – Estadão

Segura, peão! Depois de mais de uma hora e meia de debate na TV Globo, Gilberto Kassab (DEM) não ficou igual a capa do Batman, ou seja, um trapo, mas pareceu realmente cansado.

De todo modo, o candidato à reeleição manteve os olhos abertos e escolheu a hora certa para atacar. Em geral na tréplica, quando Marta Suplicy(PT) não tinha mais como retrucar. Com isso, Kassab conseguiu o direito de falar quase sempre por último, dando ao telespectador a impressão de que Marta não conseguiu levá-lo às cordas.

Assunto novo, e significativo, o que era importante para Marta, não apareceu. Ela foi incisiva, falou sem parar, mas foi pouco criativa. Voltaram na tela da Globo os mesmos velhos temas do debate da Record, da semana passada. Exceção a uma carta de despejo que ela leu. Que a deixou comovida, quase às lágrimas. Mas até isso foi mais do mesmo.

Enntão ficou assim: ela falou isto, ele falou aquilo. E repetiram isto e aquilo de novo.

Como em caso de empate a banca leva, Kassab, que é líder das pesquisas, levou.

1 Comentário Comente
  1. JAIR DANTAS DE LIMA
    nov 28 2009

    Cara CILA, gosto muito de politica por saber que através dela podemos mudar a vida de muita gente necessitada; mudar nossas comunidades etc.. Eu mesmo repudio, tudo que nossos governantes fazem com a população; utilizar verbas da saude, da educação e da segurança para fazer lambança; distribuir entre amigos achando que não vai fazer falta; isso eu acho errado. Só uma pessoa que gosto de gente só fico bem quando estou ajudando alguem necessitado; acho que serei um bom politico, honesto, serio, compromissado com os principios da nossa comunidade. Só policial civil há 19 anos, nesse periodo recebi propostas indecentes. Ingressei no quadro em 1990; em 1992 fui convidado para entrar no grupo de exterminio com a promessa de ganhar muito dinheiro; recusei. Em 1994 só convidado para dar proteção a traficante, com promessa de ganhar muito dinheiro, recuso pela segunda vez. Resumo acho que a mafia da politica não e pior que a da policia; ate porque o eleito e dono do seu mandato. Estou no aguardo de resposta.Abraços JAIR DANTAS.

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