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17 de agosto de 2011

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Vote em mim (eu sou maluco)

por cila schulman

KEVIN DELANEY 

15/08/11 – The New York Times – Folha de S. Paulo 

Os elefantes são conhecidos por sua sociedade relativamente pacífica e por sua liderança matriarcal e benigna. Pelo menos até a temporada do acasalamento, momento em que os machos -emitindo um fedor glandular e guiados por uma explosiva mistura de hormônios- atacam-se com uma impulsividade homicida, em que sobrevive quem for mais louco.

Para os políticos humanos, esse aterrorizante espetáculo oferece uma lição: a sanidade, às vezes, é superestimada.

Como escreveu no jornal “The New York Times” o professor de psicologia David Barash, da Universidade de Washington, esses elefantes ilustram uma tática notória na teoria dos jogos: convença o seu adversário de que você é desequilibrado demais para seguir as regras normais.

O presidente Richard Nixon tentou fazer isso nas suas negociações com o Vietnã do Norte, ao semear rumores de que ele era insano e estava ávido por um ataque nuclear.

A “Teoria do Louco” adotada por Nixon não funcionou. Mas, como aponta Barash, uma manobra semelhante pode ter ajudado os republicanos do Tea Party na sua implacável negociação orçamentária no mês passado, na linha “dane-se a moratória”. O presidente Barack Obama, escreveu o professor, estava agindo sob a presunção de normalidade em relação a regras, à racionalidade e às concessões, mas “enfrentava o equivalente político de um elefante lascivo -um jogador que simplesmente não joga o jogo”.

Loucura e liderança, na verdade, são uma combinação clássica. No livro “A First-Rate Madness” (uma loucura de primeira), Nassir Ghaemi estuda os transtornos da personalidade de figuras históricas e afirma que esses parafusos soltos motivaram sua grandeza. Citando, por exemplo, a depressão de Churchill e Lincoln e a mania de Franklin Roosevelt, ele escreve: “Nossos maiores líderes nas crises labutam na tristeza quando a sociedade está feliz. No entanto, quando ocorre a calamidade, se eles estiverem em condições de agir, eles podem erguer todos nós”.

Mas líderes como Neville Chamberlain e George W. Bush, os quais Ghaemi qualifica como “no meio do caminho” em termos de personalidade, reagem aos desafios com ações que foram, infelizmente segundo ele, “normais”.

Bush, pelo menos, tinha um passado de alcoólatra. David Linden, professor de neurociência da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, escreveu no “Times” que certos indivíduos sentem um “barato” de dopamina no centro de prazer do cérebro durante uma crise.

Como se trata da mesma área cerebral estimulada por abusos de substâncias, isso pode explicar a mentalidade de viciados épicos como Alexandre, o Grande, Otto von Bismarck e Churchill.

Claro que ser líder não é só ser louco. Por isso, os irracionais elefantes deveriam estudar os macacos rhesus. O macho dessa espécie também busca elevar o seu status na sociedade matriarcal combatendo outros machos. Mas, antes de começar a rosnar, os mais espertos cultivam uma base de seguidores.

“Os rhesus machos são oportunistas por excelência”, disse ao “Times” Dario Maestripieri, primatologista da Universidade de Chicago. “Eles fingem que estão ajudando os outros, mas só ajudam os adultos, não os filhotes. Só ajudam aqueles que estão acima deles na hierarquia, e não os de baixo. Eles intervêm em brigas onde sabem que vão ganhar.”

É uma estratégia vencedora. Desde que você não enfrente aquele macaco louco que não joga conforme as regras.

KEVIN DELANEY

Envie comentários para nytweekly@nytimes.com

1 Comentário Comente
  1. ago 25 2011

    If you obey all the rules, will lose all fun …
    Living madness !!!!

    Responder

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